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Saída de um coma, ex-gerente bancária recomeça no turismo aos 46 anos

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Alessandra Gomes passou anos trabalhando no setor bancário e ainda mantinha um escritório que prestava serviços para bancos quando um grave problema de saúde mudou sua rotina. Depois de sair de um coma e passar meses afastada do trabalho, ela percebeu que já não se sentia realizada apenas com a profissão que conhecia tão bem. Aos 46 anos, encontrou no turismo uma possibilidade de recomeço. Dois anos depois, a franqueada da Encontre Sua Viagem já organizou grupos de excursão, realizou dezenas de viagens e encontrou no próprio trabalho uma forma de ajudar outras pessoas a conhecer lugares que nunca imaginaram visitar.

Hoje, aos 48 anos, Alessandra ainda mantém o escritório ligado ao setor bancário, mas o turismo ocupa um espaço importante em sua vida profissional. E a mudança também alcançou sua rotina pessoal. Somente no ano passado, ela viajou 48 vezes, entre deslocamentos aéreos e rodoviários, enquanto desenvolvia o próprio negócio.

O caminho até esse momento não foi imediato. Alessandra começou com dificuldades financeiras, receio de que o investimento não desse retorno e enfrentou meses em que as vendas aconteciam lentamente. Porém, uma viagem em grupo para Gramado, no Rio Grande do Sul, ajudou a mudar esse cenário.

Um problema de saúde fez Alessandra repensar a carreira

Alessandra construiu boa parte da vida profissional no setor bancário. Foi gerente de banco durante muitos anos e, posteriormente, passou a prestar serviços para instituições financeiras por meio do próprio escritório.

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Ela dominava a atividade, mas já não encontrava nela a mesma satisfação profissional. A situação ganhou outra dimensão quando Alessandra enfrentou um grave problema de saúde e entrou em coma.

Depois de se recuperar, passou praticamente um ano sem trabalhar e encontrou dificuldades para retomar a antiga rotina. Ao mesmo tempo, começou a questionar o que gostaria de fazer naquela nova fase.

“Eu só sabia trabalhar com banco, mas já estava muito saturada, muito cansada. Queria algo em que conseguisse ajudar pessoas e também me realizar, estar em lugares diferentes e conhecer pessoas diferentes todos os dias”, conta.

Alessandra começou a procurar novas possibilidades. Foi nesse período que encontrou um conteúdo sobre a Encontre Sua Viagem e conheceu melhor a proposta de trabalhar com turismo.

A atividade despertou uma identificação que vinha de muito antes da mudança profissional. A franqueada viaja desde os oito anos de idade e já conhece mais ou menos 90 cidades de Pernambuco.

O medo financeiro pesou na decisão

Entrar em um novo setor naquele momento não era uma decisão simples. Alessandra enfrentava dificuldades financeiras e sabia que um investimento sem retorno poderia aumentar o problema.

“Quando decidi abrir a franquia, tinha medo de que não desse certo, de que não conseguisse vender”, relembra.

Apesar da insegurança, decidiu seguir com o projeto.

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A experiência anterior com clientes ajudava na comunicação, mas Alessandra ainda precisava aprender uma nova profissão. A formação oferecida pela rede deu conta disso, garantindo conhecimentos sobre a operação de uma agência e os processos envolvidos na venda de viagens.

Depois, veio outro desafio: convencer as pessoas de que poderiam confiar em uma profissional que acabara de entrar no mercado.

Alessandra divulgou o novo negócio de diferentes maneiras. Chegou a utilizar carro de som na cidade e falava sobre a agência sempre que tinha oportunidade. Mesmo assim, percebia uma objeção recorrente: o pouco tempo de atuação no turismo.

Um cliente percorreu cerca de 40 quilômetros para comprar pessoalmente

O primeiro cliente foi Seu Marcos, um senhor de 84 anos que morava em uma cidade vizinha, a aproximadamente 40 quilômetros de distância. Ele já comprava passagens com outra empresa, mas não teve retorno quando pediu uma cotação. 

Então, telefonou para Alessandra durante o horário de almoço. Ela atendeu.

Seu Marcos queria uma passagem de Recife (PE) para São Paulo (SP), onde passaria o aniversário ao lado dos filhos. Mesmo sabendo que a agência tinha apenas 30 dias de funcionamento, ele decidiu dar uma oportunidade à nova profissional.

Antes de fechar, chegou a fazer outras cotações. Ainda assim, percorreu cerca de 40 quilômetros para comprar a passagem pessoalmente com Alessandra.

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Para alguém que acabava de começar e ainda precisava conquistar a confiança do mercado, aquela cena foi difícil de acreditar.

“Eu fiquei meio sem entender. Era tudo muito novo para mim, parecia até um sonho”, relembra a franqueada.

Depois dessa primeira compra, Seu Marcos ainda procurou Alessandra para fazer outras cotações, embora não tenha voltado a fechar uma viagem. Como mora em outra cidade e já tem 84 anos, os dois também acabaram perdendo o contato com o tempo.

Mesmo assim, aquela primeira venda permaneceu marcada na memória da franqueada. Um cliente que já possuía outra referência no mercado decidiu atravessar dezenas de quilômetros para confiar em uma agência com apenas um mês de funcionamento.

Porém, o crescimento não aconteceu de uma hora para outra. Nos meses seguintes, Alessandra vendia uma passagem aqui e outra ali. Ela procurava amigos, familiares e conhecidos, mas a resposta inicial ficou abaixo do que imaginava.

Foi nesse período que aprendeu uma das lições que hoje considera mais importantes de sua trajetória: continuar mesmo quando o resultado demora a aparecer!

Um grupo de 22 pessoas para Gramado mudou o ritmo da agência

A virada aconteceu aproximadamente 11 meses depois. Alessandra montou um grupo para Gramado (RS), município da Serra Gaúcha e um dos principais destinos turísticos do país.

A ideia teve influência de uma amiga que havia comprado com ela uma viagem de lua de mel para o Rio de Janeiro (RJ). A cliente posteriormente a incentivou a trabalhar com o grupo.

Em junho, a franqueada lançou o pacote para Gramado. No mesmo dia, vendeu dez pacotes. Ao todo, o grupo chegou a 22 pessoas.

“Foi surpreendente. Foi meu primeiro grupo e consegui entender todo o trâmite. Algumas coisas não deram certo, mas aprendi muito. O segredo da superação é não desistir”, afirma.

Uma dessas dificuldades aconteceu quando Alessandra perdeu um prazo relacionado ao grupo, que já tinha 15 passageiros com sinal pago. Como ainda estava aprendendo a lidar com aquele tipo de operação, precisou buscar ajuda.

Segundo ela, Max, profissional da franqueadora da Encontre Sua Viagem, ajudou na realocação dos clientes para outros voos, reduzindo o impacto do problema. O episódio acabou se tornando também uma experiência importante de aprendizado para os próximos grupos.

Para Alessandra, aquela viagem representou a primeira grande alavancada da agência.

Franqueada encontrou propósito em levar outras pessoas para viajar

Com o crescimento dos atendimentos, Alessandra Gomes começou a perceber um resultado que não aparecia apenas nas vendas.

Alguns de seus clientes nunca haviam viajado de avião. Outros praticamente não tinham saído da própria cidade e nunca haviam percorrido sequer 100 ou 200 quilômetros para conhecer outro lugar.

A possibilidade de participar dessas primeiras experiências passou a ter um significado especial para a franqueada.

Então, eu me realizo quando realizo o sonho das pessoas”, afirma.

Segundo Alessandra, alguns desses viajantes retornam agradecendo pelo atendimento e compartilham suas experiências nas redes sociais. Para ela, esse retorno mostra uma dimensão do turismo que vai além da venda de uma passagem ou hospedagem.

A franqueada passou a enxergar seu trabalho como uma forma de ampliar o acesso de outras pessoas às viagens. Em alguns casos, significa ajudar alguém a fazer pela primeira vez algo que para outros já faz parte da rotina.

Aos 48 anos, uma viagem marcou também seu próprio recomeço

O turismo não ampliou apenas os destinos dos clientes de Alessandra. A nova atividade também fez com que ela própria viajasse mais.

No ano passado, foram 48 viagens, considerando trajetos aéreos e rodoviários. Nesse período, conheceu Belo Horizonte (MG), voltou posteriormente à capital mineira e visitou Ouro Preto (MG), cidade histórica que ainda não conhecia.

Porém, uma experiência pessoal ganhou um significado diferente: Fernando de Noronha, arquipélago pertencente ao estado de Pernambuco.

Alessandra havia passado pelo destino aos 18 anos, mas não teve a oportunidade de realmente conhecê-lo. Naquela época, esteve no arquipélago durante uma viagem em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), com o então namorado, que transportava mantimentos.

Trinta anos depois, decidiu voltar.

A viagem foi um presente que Alessandra deu a si mesma ao completar 48 anos. Dessa vez, pôde conhecer Fernando de Noronha de outra maneira e aproveitar o destino que havia visto rapidamente na juventude.

O momento também carregava o significado da recuperação. Depois do problema de saúde, do coma e de praticamente um ano afastada do trabalho, estar novamente viajando representava uma retomada.

“Eu me senti muito, muito feliz e sabendo que podia estender essa felicidade a outras pessoas”, conta.

Dois anos depois, a construção do negócio continua

Em agosto de 2026, Alessandra completou dois anos como franqueada. Ela ainda não chegou aos resultados financeiros que estabeleceu como objetivo e não tenta esconder essa parte da trajetória.

Por outro lado, enxerga uma evolução importante desde os primeiros meses, quando vendia passagens pontuais e precisava superar a desconfiança causada pelo pouco tempo de mercado.

Hoje, os agradecimentos dos clientes, os grupos organizados e as experiências de pessoas que viajaram pela primeira vez ajudam a medir esse avanço.

A antiga gerente bancária também continua aprendendo. O turismo trouxe novos conhecimentos, lugares e relacionamentos para uma profissional que, depois de tantos anos no mesmo setor, chegou a acreditar que só sabia trabalhar com bancos.

“Estou plantando, e quem planta colhe”, resume.

Para uma mulher que precisou reaprender como queria conduzir a própria carreira depois de sair de um coma, cada cliente que embarca pela primeira vez também carrega um pouco desse recomeço. Agora, enquanto continua construindo a própria história, ajuda outras pessoas a descobrirem destinos que talvez nunca imaginassem conhecer.

Assim, a história de Alessandra não é a de alguém que abandonou uma carreira e encontrou resultados imediatos em outra. Ela ainda mantém sua atividade ligada ao setor bancário e continua construindo os resultados que deseja alcançar com a agência.

A diferença está na forma como enxerga sua vida profissional depois do problema de saúde. Aos 48 anos, viaja mais, conhece novas pessoas e participa de experiências que antes pareciam distantes, tanto para ela quanto para alguns de seus clientes.

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