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Após 16 anos em banco, empreendedora investe em autonomia

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Depois de 16 anos no setor bancário, Aline Andrade percebeu que a rotina profissional que havia construído já não combinava com a vida que queria levar. Mãe e divorciada na época, ela buscava mais tempo para acompanhar a filha e começava sua segunda graduação, em Direito. A vontade de trabalhar pelas próprias metas levou Aline a empreender no turismo e, anos depois, permitiu que ela construísse duas carreiras sem precisar escolher entre a advocacia e a franquia.

A mudança não aconteceu porque Aline deixou de valorizar a experiência adquirida como bancária. Depois de uma trajetória de 16 anos, porém, ela começou a desejar algo diferente: queria direcionar seu esforço para projetos próprios e ter mais autonomia sobre o tempo.

A maternidade teve um peso importante nessa decisão. Hoje com 15 anos, Júlia Andrade, filha da franqueada, ainda era pequena quando Aline vivia a rotina do ramo bancário. Naquela época, a menina entrava na creche às 7h, saía às 18h e permanecia com uma babá até a mãe chegar do trabalho.

Só que, depois de tantos anos como funcionária, a possibilidade de mudanças também trouxe receios. Aline estava acostumada à previsibilidade do salário no final do mês. Ao pensar em empreender, surgiram dúvidas sobre recuperar o investimento, conquistar clientes e gerar receita suficiente para manter o negócio.

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A pergunta “E se não der certo?” fazia parte daquele momento. Porém, permanecer apenas onde já se sentia segura também significaria abrir mão da vida profissional e pessoal que desejava construir.

Uma paixão antiga por viagens apontou o novo caminho

Viajar sempre ocupou um espaço importante na vida de Aline. Antes mesmo de trabalhar profissionalmente no turismo, ela já ajudava familiares e amigos a pesquisar destinos, montar roteiros, organizar grupos e planejar viagens.

Tudo isso acontecia naturalmente, porque ela gostava do assunto. Aos poucos, ela entendeu que aquele interesse poderia se transformar em uma atividade profissional.

“Eu não estava escolhendo apenas uma franquia ou uma oportunidade de negócio. Estava escolhendo empreender em algo com que realmente me identificava”, afirma.

Aline entrou para a Encontre Sua Viagem em 2008. O modelo permitia unir o interesse pelo turismo à flexibilidade que buscava naquele momento.

A primeira cliente foi ela mesma. A franqueada organizou uma viagem com o pai e as irmãs, transformando uma experiência familiar no início da nova trajetória profissional.

Depois disso, começaria uma etapa diferente: conquistar pessoas que ainda não conheciam seu trabalho.

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Antes de vender viagens, foi preciso conquistar confiança

Aline havia realizado o investimento inicial, mas ainda precisava construir uma carteira de clientes e se tornar conhecida como agente de viagens. Uma das primeiras barreiras estava na percepção que algumas pessoas tinham sobre comprar por meio de uma agência.

Havia quem acreditasse que o atendimento de um agente necessariamente tornaria a viagem mais cara. Aline precisava mostrar o valor de contar com alguém para orientar e prestar suporte durante o processo sem que isso significasse, necessariamente, pagar mais pelo serviço.

A franqueada passou a divulgar intensamente seu trabalho nas redes sociais e nos próprios círculos de relacionamento. Também buscou parcerias com empresas e organizações não governamentais (ONGs).

As quatro irmãs da franqueada tiveram participação nessa divulgação. Uma delas atua no terceiro setor e, certa vez, comprou com Aline as passagens de pessoas ligadas a diferentes organizações que participariam de um evento.

Aline se preocupou especialmente em oferecer todo o suporte necessário. O que ela não imaginava era o efeito que aquele atendimento teria sobre o crescimento da agência.

A experiência começou a circular entre as organizações. Uma ONG indicou o trabalho para outra e novas recomendações surgiram. Até hoje, o terceiro setor representa uma parte importante da carteira de clientes da franqueada.

Recentemente, essa relação ganhou um significado especial. Dois clientes atendidos por Aline apareceram em uma seleção do jornal O Globo entre os “101 brasileiros que constroem o futuro”.

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“Foi muito gratificante perceber que, de alguma forma, o meu trabalho também está presente na trajetória de pessoas que estão fazendo a diferença no país”, conta.

Para a franqueada, situações assim ajudam a explicar o significado que encontrou no turismo.

“Eu não vendo simplesmente passagens ou viagens. Eu ajudo pessoas a chegarem onde precisam estar e, muitas vezes, esses destinos fazem parte de histórias muito maiores do que eu poderia imaginar.”

Mais presença na vida da filha

Se no início Aline buscava uma atividade que oferecesse mais autonomia, foi na rotina familiar que essa transformação se tornou mais evidente.

Hoje, ela consegue levar a filha Júlia à escola, acompanhá-la em consultas médicas e almoçar com ela algumas vezes durante a semana. São momentos simples, mas que contrastam com a época em que a menina passava o dia na creche e depois precisava esperar com uma babá a mãe chegar do trabalho.

Durante muito tempo, foram só Aline e Júlia. Por isso, poder organizar melhor o próprio tempo teve um significado especial para a empreendedora.

Atualmente, Aline é casada com Jardel Costa. Como ele foi transferido profissionalmente para São Paulo (SP) e os dois moram em cidades diferentes, a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar facilita as viagens da franqueada para encontrá-lo.

Essa flexibilidade não significa que o trabalho deixou de exigir dedicação. A diferença está na possibilidade de Aline organizar o próprio negócio de uma maneira mais compatível com a vida que deseja ter.

Aline Andrade conseguiu construir duas carreiras

Mais ou menos no meio da trajetória da franqueada, o objetivo que havia começado junto com a mudança profissional também avançou. A renda gerada pelo negócio ajudou Aline Andrade a concluir sua graduação em Direito.

Depois de formada, ela não precisou abandonar a franquia. Hoje, Aline atua como advogada e empreendedora no turismo e obtém renda das duas atividades.

“Tenho duas profissões que amo e consigo conciliá-las”, afirma.

Com o tempo, ela percebeu ainda que as duas áreas poderiam se complementar. Aline já precisou atender clientes diante de cancelamentos de voos, alterações de passagens, problemas com reservas, reembolsos e outros imprevistos relacionados às viagens.

Nessas situações, a formação jurídica permite que ela analise o problema também pela perspectiva dos direitos do consumidor. Ao mesmo tempo, a experiência acumulada no turismo aproximou a advogada de situações reais que acontecem antes, durante e depois de uma viagem.

“Hoje eu vejo que não tenho simplesmente duas profissões. Tenho duas áreas de atuação que, em muitos momentos, conversam entre si”, explica Aline.

Para ela, essa combinação também influencia a maneira como atende. A preocupação não fica apenas na venda, mas acompanha a experiência e a segurança do cliente durante a viagem.

As próprias viagens também ajudam no atendimento aos clientes

O interesse que levou Aline ao turismo continua presente fora do trabalho. Ela gosta de conhecer destinos e viver pessoalmente as experiências que depois pode compartilhar com os clientes.

Na maioria das vezes, quando indica lugares que já visitou, a franqueada consegue acrescentar sua própria percepção sobre o destino. As viagens também aparecem nas redes sociais, onde Aline compartilha experiências pessoais.

Dessa forma, aquilo que sempre foi uma meta de vida também passou a contribuir com a atividade profissional. Viajar não se tornou apenas trabalho. Continua sendo algo que Aline gosta de fazer, mas agora o conhecimento adquirido nessas experiências pode ajudar outras pessoas a planejarem as próprias viagens.

O significado de estabilidade mudou ao longo dos anos

Aline passou 16 anos em um ambiente no qual estabilidade significava, entre outras coisas, saber que receberia um salário no final do mês. Depois de empreender, esse conceito ganhou outro significado para ela.

Hoje, a franqueada relaciona segurança profissional também à confiança na própria capacidade de trabalhar, encontrar oportunidades e construir caminhos.

Os resultados que mais valoriza também não aparecem apenas em números. Aline construiu uma carteira formada por pessoas físicas e empresas, e desenvolveu uma presença relevante entre ONGs.

Porém, algumas conquistas aparecem principalmente na vida que passou a levar. A renda da franquia contribuiu para sua formação em Direito, enquanto a flexibilidade permitiu acompanhar a filha mais de perto e conciliar duas atividades profissionais.

Mas Aline não trata o empreendedorismo como uma trajetória sem dificuldades. Para ela, assumir decisões significa também lidar com erros, aprender, fazer ajustes e tentar novamente quando necessário.

Ao olhar para trás, porém, percebe que aquela decisão foi muito além de trocar uma carreira por outra. Na verdade, Aline nem precisou limitar sua trajetória a uma única profissão.

Depois de 16 anos perseguindo metas dentro do mercado financeiro, a maior mudança talvez esteja justamente aí: Aline passou a ter a possibilidade de escolher quais metas deseja perseguir e como elas podem fazer parte da vida que quer levar.

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