Depois de trabalhar como bancária, passar 19 anos em uma franquia dos Correios e liderar uma equipe no setor de cosméticos, Alessandra Panice deixou a vida profissional por questões de saúde. Anos depois, com os filhos adultos, ela começou a se perguntar se ainda teria espaço no mercado de trabalho. Aos 52 anos, decidiu recuperar um antigo plano: trabalhar com turismo. Hoje, perto de completar 54 anos de idade, administra uma agência de viagens em home office, voltou a ter sua própria renda e consegue trabalhar enquanto visita filhos, neto e familiares que vivem longe.
A ideia de ter uma agência não surgiu nessa nova fase. Anos antes, Alessandra já havia pensado em unir turismo a um negócio de serviços postais. O projeto também aproveitaria a experiência do marido, Josemar Paiva, que trabalha como piloto. Porém, os planos não avançaram naquele momento.
Quando decidiu voltar ao mercado de trabalho, no final de 2023, aquele antigo desejo também não foi sua primeira opção. Alessandra tentou diferentes atividades em busca de algo que pudesse fazer de casa. Chegou a trabalhar como secretária virtual até perceber que talvez a oportunidade estivesse justamente em um projeto que havia deixado para trás.
Uma trajetória profissional interrompida abriu espaço para outra fase
Alessandra começou a trabalhar cedo. Depois de se casar ainda jovem, construiu uma trajetória que passou pelo setor bancário e, posteriormente, pelo negócio da família.
Durante 19 anos, trabalhou com o pai em uma franquia dos Correios. A operação permaneceu até 2012, quando precisou encerrar as atividades por circunstâncias que, segundo Alessandra, estavam fora do controle da família.
Na época, ela já pensava em outro empreendimento. Como seu esposo, Josemar, trabalhava na aviação, Alessandra queria aproveitar a experiência dele para criar um negócio que reunisse serviços postais (em um modelo semelhante ao da FedEx) e uma agência de turismo.
O projeto não saiu do papel. Sem outra alternativa profissional naquele momento, Alessandra recebeu o convite de uma amiga para trabalhar com cosméticos.
Ela permaneceu aproximadamente cinco anos no setor, com vendas e liderança de equipe. Paralelamente, organizava eventos e oficinas de maquiagem, mantendo o contato direto com pessoas, algo que sempre esteve presente em sua trajetória.
Mas problemas de saúde fizeram com que deixasse a atividade. Alessandra passou, então, a se dedicar exclusivamente à casa e à família.
Com os filhos adultos, um antigo sonho voltou aos planos
No final de 2023, Josemar Paiva começou a incentivar a esposa a retomar a vida profissional. Os filhos Gabriel, Gabriela e Geovana já eram adultos, e voltar a trabalhar poderia contribuir com o orçamento familiar e trazer uma nova ocupação para Alessandra.
A decisão, porém, esbarrava na maneira como ela própria enxergava aquele retorno.
Depois de anos afastada, Alessandra não se considerava mais qualificada e acreditava que a idade poderia dificultar uma recolocação profissional. Por isso, começou a procurar alternativas que permitissem trabalhar em home office.
Ela tentou diferentes possibilidades. Porém, nenhuma despertava a sensação de que poderia se transformar em um projeto para os próximos anos.
Foi quando se lembrou novamente da agência de viagens.
Alessandra começou a pesquisar sobre o setor e encontrou divulgações da Encontre Sua Viagem. Inicialmente, acreditava que apenas pessoas formadas em Turismo poderiam ter uma agência. Conforme pesquisou, descobriu que não era assim.
No segundo semestre de 2024, ela entrou em contato com a rede. Durante quase cinco meses, conversou com Ana Oliveira, que respondeu às dúvidas da futura franqueada enquanto ela avaliava a decisão.
Aos 52 anos, Alessandra queria escolher algo para levar adiante
As experiências anteriores fizeram Alessandra entrar no novo projeto com cautela. Seu principal receio era investir novamente em uma atividade e não conseguir fazê-la avançar.
Por outro lado, o modelo de franquia trouxe uma característica que considerava importante naquele momento. Como não conhecia os sistemas e a operação de uma agência, saber que teria suporte da franqueadora aumentava sua segurança.
Havia também uma decisão pessoal por trás da escolha. Alessandra não queria iniciar qualquer atividade apenas para voltar a ganhar dinheiro.
“Eu não tinha mais idade e tempo para ficar ‘tentando’ só por dinheiro. Precisava fazer algo que realmente amasse e que fosse levar adiante até me aposentar ou até por mais tempo”, conta.
A relação com pessoas ajudou a aproximá-la do turismo. Depois de trabalhar com atendimento, vendas, liderança de equipes e eventos, ela enxergou semelhanças entre algumas dessas experiências e a nova atividade.
Para Alessandra, uma agência também participa da organização de momentos importantes. Lua de mel, férias, intercâmbios e encontros familiares podem representar projetos aguardados durante anos por quem procura um agente de viagens.
As primeiras passagens trouxeram a confirmação que ela esperava
Antes de começar os atendimentos, Alessandra precisou concluir os estudos e treinamentos necessários para abrir oficialmente a franquia. Depois da preparação, vieram as primeiras vendas.
Três atendimentos ficaram especialmente marcados na memória. Uma passagem foi comprada por um primo de seu esposo, Josemar. Outra veio de uma amiga de sua filha, que também comprou para mais três amigas. A terceira foi para o pastor da igreja que Alessandra frequenta.
Esse último cliente já esperava pela abertura da agência. Segundo a franqueada, ele perguntava com frequência quando ela estaria habilitada para vender, porque ele queria comprar uma passagem para o Rio de Janeiro (RJ) diretamente com ela.
Quando as primeiras vendas aconteceram, Alessandra comemorou. Compartilhou a novidade com Ana Oliveira, seu primeiro contato na franqueadora, e também com o grupo de franqueados do qual já participava.
O desafio seguinte passou a ser conquistar confiança. Alessandra percebeu que amigos e conhecidos nem sempre seriam automaticamente seus primeiros clientes.
“Aprendi de forma dura, mas fundamental no ramo de vendas, que é mais fácil um cliente se tornar seu amigo do que um amigo se tornar seu cliente”, afirma.
Alessandra voltou a ter renda sem abrir mão da família
Completando 54 anos agora em setembro de 2026, Alessandra Panice enxerga mudanças que vão além da atividade profissional. Antes, dedicava-se integralmente à casa. Era um trabalho que ela própria destaca como importante, mas não remunerado. Agora, voltou a ter sua renda.
O dinheiro permite contribuir novamente com as despesas familiares e também participar de ações sociais promovidas por sua igreja.
Seu esposo, Josemar Paiva, teve participação direta nesse recomeço. Além de incentivar a esposa a voltar ao mercado, foi ele quem financiou a abertura da franquia.
O apoio continua no dia a dia. Quando está de folga, o piloto faz parte dos afazeres domésticos para que Alessandra consiga se concentrar nos atendimentos da agência. Sua experiência na aviação também aparece em situações práticas do negócio, com dicas sobre aeroportos, localizações, siglas e o alfabeto fonético internacional.
Porém, uma das mudanças mais importantes está justamente na possibilidade de trabalhar sem permanecer sempre no mesmo lugar.
Seu filho Gabriel, a nora Aline e o neto de Alessandra vivem em outro estado. Como a agência funciona em home office, ela consegue visitá-los e permanecer mais tempo com a família sem interromper completamente o trabalho.

O turismo encurtou distâncias pessoais
A flexibilidade ganhou um significado ainda maior porque várias pessoas importantes para Alessandra vivem longe.
Em uma das viagens, ela visitou a tia que a criou, no interior do estado de São Paulo. As duas estavam há mais de cinco anos sem se encontrar.
Em julho, outro reencontro aconteceu. Alessandra voltou a Porto Alegre (RS) para visitar os tios maternos depois de mais de nove anos.
Já mais recentemente, a franqueada acompanhou a filha Geovana até São Paulo (SP), onde ela embarcou para um intercâmbio nos Estados Unidos. A viagem permitiu que mãe e filha compartilhassem de perto aquele momento de despedida.
Outros integrantes da família também passaram a utilizar a agência. Seus filhos compram com ela passagens e hospedagens. Gabriel e a esposa viajaram pela Itália com serviços contratados pela Encontre Sua Viagem, enquanto Alessandra também esteve em Bento Gonçalves (RS) com a filha Gabriela.
São situações que aproximam dois motivos importantes de seu retorno profissional: voltar a trabalhar e continuar presente na vida da família.
Novos clientes abriram caminhos que ela ainda quer explorar
A carteira também começou a ganhar novas características. Clientes atendidos no início retornaram, antigos amigos que vivem em outros estados passaram a procurar Alessandra e a agência conquistou demandas corporativas.
Agora, a franqueada pretende ampliar a atuação para dois nichos específicos: viagens para a terceira idade e turismo esportivo.
Isso acontece enquanto Alessandra ainda busca uma meta financeira que estabeleceu para o negócio. Ela deixa claro que ainda não atingiu o teto mensal que deseja alcançar.
Apesar disso, mede a evolução também por outros aspectos. Voltou ao mercado, adquiriu conhecimentos que não imaginava desenvolver nessa fase da vida e passou a se reconhecer novamente como profissional.
“É gratificante ver o quanto posso ser ainda capaz, mesmo depois dos 50 anos, e poder ainda fazer a diferença. Nunca é tarde para recomeçar e aprender”, afirma.
A frase ganha peso quando comparada ao momento em que Alessandra acreditava não ter mais idade ou qualificação para retornar ao mercado.
Hoje, ela não precisa separar completamente trabalho e momentos importantes da vida pessoal. Pode visitar o neto em outro estado, rever familiares depois de anos e acompanhar uma filha em um embarque internacional sem necessariamente deixar a agência para trás.
O antigo sonho de trabalhar com turismo demorou anos para encontrar o momento certo. Nesse intervalo, Alessandra foi bancária, trabalhou com o pai, vendeu cosméticos, liderou equipes, organizou eventos e passou um período dedicada exclusivamente à casa.
Quando decidiu recomeçar, não procurava apenas uma fonte de renda. Queria uma atividade que tivesse sentido suficiente para acompanhá-la pelos próximos anos. Foi assim que, depois dos 50 anos de idade, o projeto que não havia saído do papel no passado ganhou uma nova oportunidade. Abrir uma agência de viagens devolveu a Alessandra algo que ela chegou a questionar se ainda teria: uma vida profissional própria!






