A franquia Feijoada Nuu Balde transformou um dos pratos mais tradicionais do Brasil em um negócio criado para o delivery. A marca, que começou com 1 único pedido no primeiro dia, hoje tem cinco unidades, prepara novas franquias fora de Minas Gerais e projeta chegar a 300 operações no país.
A proposta está no próprio nome e na apresentação do produto. Em vez de tratar a feijoada como mais um item do cardápio de um restaurante, a rede colocou o prato como protagonista e adotou o balde como parte de sua identidade.
Depois de testar diferentes formatos ao longo de sete anos, a empresa também modificou o modelo criado para os franqueados. A nova franquia Feijoada Nuu Balde prevê uma operação com duas pessoas, produção centralizada da feijoada e royalties fixos.
A estratégia busca simplificar a rotina das unidades e facilitar a padronização do produto. A rede agora se prepara para levar esse formato a novos mercados, com operações previstas no Rio de Janeiro (RJ), em São José dos Campos (SP) e na cidade de São Paulo (SP).
Franquia Feijoada Nuu Balde começou no quintal de uma casa
A primeira operação da franquia Feijoada Nuu Balde surgiu em outubro de 2019, em Belo Horizonte (MG). Ela foi criada por Yuri Souza e sua irmã Dienny Gonçalves, no quintal da casa da mãe dos dois. A ideia já estava sendo estudada antes disso e ganhou força com as mudanças que o delivery começava a provocar no mercado de alimentação da capital mineira.
Souza havia conhecido durante uma viagem à Bahia um formato que considerou semelhante ao conceito que imaginava desenvolver. A diferença seria colocar a feijoada no centro do negócio e construir uma identidade própria em torno dela.
A chegada do iFood a Belo Horizonte também chamou sua atenção. O crescimento da circulação de entregadores pela cidade indicava uma mudança no comportamento dos consumidores e reforçou a possibilidade de desenvolver uma operação voltada ao delivery.
No ano seguinte, a ideia saiu da gaveta. A Feijoada Nuu Balde abriu um perfil no Instagram, entrou no iFood e começou a divulgar seu produto para pessoas que acompanhavam páginas gastronômicas da cidade.
O primeiro dia terminou com apenas um pedido. No segundo, foram cinco.
“Eu falei: ‘Opa! Então temos um negócio aqui!’”, relembra Souza.
O volume aumentou nos meses seguintes e, em janeiro de 2020, a empresa deixou o quintal para ocupar uma loja de aproximadamente 25 metros quadrados no bairro Aparecida, na região Noroeste de Belo Horizonte.
Delivery impulsionou o crescimento da marca
A Feijoada Nuu Balde ainda validava seu modelo quando começou a pandemia da COVID-19, em março de 2020. Naquele momento, segundo o fundador, a pequena operação faturava aproximadamente R$ 28 mil por mês.
Com o aumento da demanda por delivery, o faturamento avançou. Souza relata que a operação passou por R$ 35 mil, R$ 40 mil, R$ 45 mil e chegou a R$ 50 mil mensais.
O crescimento mostrou também uma limitação: os 25 metros quadrados já não comportavam a demanda. A empresa precisava de uma estrutura maior e de processos que permitissem continuar avançando.
A marca passou então por uma etapa de organização, que envolveu o registro, a revisão dos processos operacionais e a busca por um novo endereço. Em 2021, a Feijoada Nuu Balde mudou para um imóvel de aproximadamente 100 metros quadrados.
Com uma operação maior e mais estruturada, a empresa começou a preparar os próximos passos da expansão.
Cinco unidades ajudaram a desenvolver o modelo de franquia
A expansão ganhou força em 2023, com a abertura da segunda unidade da Feijoada Nuu Balde, no bairro Buritis. Depois, a marca chegou à Pampulha, Contagem e Savassi, todos em Belo Horizonte (MG).
Hoje, são cinco operações. Quatro pertencem à própria empresa e uma é franquia, localizada em Contagem, na Região Metropolitana de BH.
A primeira unidade franqueada foi aberta em 2024 com o objetivo de validar o formato. Essa experiência em Contagem permitiu que a empresa observasse a operação de um franqueado antes de avançar com novas unidades.
O teste levou a uma mudança importante. Inicialmente, a própria unidade produzia a feijoada. No modelo desenvolvido para a nova etapa de expansão, a franqueadora enviará o produto semi-pronto e congelado para o franqueado.
A produção centralizada busca manter o padrão entre as unidades e reduzir a complexidade da operação. Também responde a uma dificuldade identificada pela empresa no setor de alimentação: encontrar mão de obra especializada para cozinha.
A proposta é que a fábrica produza em escala e distribua a feijoada para a rede. Assim, cada unidade finaliza o produto seguindo os processos definidos pela marca.
Franquia Feijoada Nuu Balde funciona com duas pessoas
Uma das principais características do modelo atual da franquia é a estrutura reduzida. Segundo a empresa, duas pessoas conseguem operar uma unidade, enquanto o franqueado realiza a gestão com as ferramentas e os processos fornecidos pela rede.
A escolha do endereço também procura evitar custos desnecessários. A franquia de feijoada não exige uma das ruas mais movimentadas e caras da região, mas a franquia também não deve ficar em um local sem movimento.
A rede chama a alternativa buscada de “rua paralela”: um endereço que permita atender à operação sem assumir necessariamente o aluguel de um ponto comercial de maior valor.
De qualquer forma, toda unidade recebe fachada e identidade visual da franquia Feijoada Nuu Balde. A proposta é manter o reconhecimento da marca enquanto a operação interna segue um formato simplificado.
Outro diferencial é que as unidades funcionam somente no período do almoço, de terça-feira a domingo, vendendo das 11h às 15h30. A implantação pode levar entre um e dois meses.
Royalties fixos e distribuição fazem parte do novo formato
A reformulação da franquia também chegou à forma de cobrança dos royalties. Em vez de trabalhar com um percentual sobre o faturamento, a franquia Feijoada Nuu Balde estabeleceu royalties fixos.
Ao mesmo tempo, a franqueadora passa a participar da cadeia de fornecimento. A fábrica distribui a feijoada para as unidades, enquanto a rede também fornece embalagens.
“Eu tenho a fábrica, então o franqueado não precisa de cozinheira. Faço em larga escala e distribuo para as unidades”, explica o sócio-fundador Yuri Souza.
O cardápio tem a feijoada como carro-chefe, mas conta ainda com bolinho de feijoada e torresmo. A empresa estuda uma maneira de também fornecer o tropeiro semi-pronto aos franqueados.
Marca nasceu com a mineiridade no próprio nome
A identidade da franquia Feijoada Nuu Balde foi construída para diferenciar um produto que já estava presente em inúmeros restaurantes. O conceito une o balde, a comunicação visual e uma expressão característica de Minas Gerais.
O “Nuu” do nome reproduz uma reação que a marca associa ao tamanho da porção recebida pelo cliente.
“Quando a pessoa recebe o balde, fala: ‘Nuu, é muita comida’”, brinca Souza.
Assim, a embalagem deixou de cumprir apenas uma função prática e passou a fazer parte da apresentação da empresa. É justamente essa combinação entre um prato tradicional e uma identidade própria que a rede busca reproduzir nas novas unidades.
Franqueados recebem treinamento desde a implantação
O suporte da franquia Feijoada Nuu Balde começa antes da inauguração. De início, a franqueadora realiza a análise do ponto e acompanha o processo de implantação da unidade.
Depois, vem o treinamento, que inclui os manuais, uma plataforma de capacitação e a universidade corporativa. Os conteúdos abrangem tarefas da rotina, como abertura da loja, utilização do sistema e preparação dos pedidos.
Na inauguração, o acompanhamento continua dentro da própria operação. Segundo o sócio-fundador, a diretora operacional permanece durante seis dias com o novo franqueado para auxiliar no início das atividades.
O objetivo é fazer com que os processos utilizados nas unidades atuais possam ser reproduzidos pelos novos operadores.
Faturamento médio fica entre R$ 90 mil e R$ 100 mil
Segundo Yuri Souza, as unidades da franquia Feijoada Nuu Balde registram atualmente faturamento médio mensal entre R$ 90 mil e R$ 100 mil. Há operações que, de acordo com ele, chegam a faturar R$ 130 mil ou R$ 140 mil em determinados períodos.
Esses números representam resultados das unidades existentes e não significam garantia de faturamento para novos franqueados. O próprio fundador ressalta que os ganhos dependem diretamente da atuação de cada operador.
A primeira franquia, em Contagem, serviu para testar o modelo. Agora, com mudanças na produção, nos royalties e na estrutura operacional, a franquia Feijoada Nuu Balde começa uma etapa de expansão para outros estados.
A passagem pelo Shark Tank Brasil, em 2025, também contribuiu para aumentar a exposição da marca. Durante o programa, a empresa foi escolhida por Caito Maia, fundador da Chilli Beans. O investimento não avançou posteriormente porque, segundo Souza, os dois lados tinham ideias diferentes sobre os rumos do negócio.
Mesmo sem o acordo, porém, a participação no programa ajudou a projetar a franquia Feijoada Nuu Balde nacionalmente e coincidiu com o momento em que a empresa decidiu estruturar melhor seu projeto de franchising.
Hoje, a rede prepara novas operações no Rio de Janeiro (RJ), em São José dos Campos (SP) e na cidade de São Paulo (SP). A meta declarada é alcançar 300 unidades no Brasil.
Depois de validar o delivery, testar sua primeira franquia e simplificar a operação, a marca aposta nesse novo modelo para avançar em outras cidades do país. E promete ser a maior marca de feijoada do Brasil.







