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Após 10 anos em banco, demissão faz Luís Veiga retomar sonho de infância

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Luís Veiga construiu uma carreira de dez anos em um grande banco do país. Porém, o turismo nunca deixou de fazer parte de sua história. Quando sua demissão abriu espaço para uma mudança que talvez ele não fizesse por conta própria, o antigo sonho de trabalhar com viagens voltou à tona. O caminho levou Veiga ao empreendedorismo, onde transformou uma paixão que vinha desde a infância em sua profissão.

A relação de Veiga com viagens começou muito antes da vida profissional. Quando ainda era criança, seus pais criaram um hábito: antes de qualquer passeio, davam ao filho uma revista ou um livro sobre o destino. Ele precisava pesquisar restaurantes, atrações e lugares que gostaria de conhecer.

Hoje, o franqueado mantém a tradição com a esposa, Andrea Carolina Paszczuk, e a filha, Valentina. Antes de uma viagem, a família pesquisa, planeja e procura conhecer melhor o lugar que vai visitar. O hábito atravessou gerações, mas a transformação do turismo em profissão começou a ganhar forma em uma viagem feita ainda na adolescência.

Uma viagem ao Beto Carrero mudou os planos para o futuro

Em 1997, Veiga viajou com a mãe para o Beto Carrero World, parque localizado em Penha, Santa Catarina. O passeio aconteceu em um período em que o parque ainda era bem menor do que atualmente e acabou se tornando um dos momentos mais importantes de sua trajetória.

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A viagem fazia parte de um grupo organizado por uma agência. Veiga descobriu que era o único adolescente entre os passageiros e acabou se aproximando do guia responsável pelo passeio, conhecido como “Maninho da Ilha”.

Curioso, passou boa parte da viagem conversando com ele e fazendo perguntas sobre os lugares visitados. Na volta de um dos passeios para Balneário Camboriú, também em Santa Catarina, decidiu perguntar algo diferente: o que precisava fazer para trabalhar com aquilo?

“Achei muito legal, quero fazer isso da minha vida.” A conversa foi uma virada de chave. Veiga voltou para São Paulo decidido a estudar para trabalhar com turismo.

O franqueado morava em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo, e estudava desde pequeno na mesma escola. Mesmo com toda a tradição familiar ligada ao colégio, decidiu mudar de instituição quando descobriu que poderia cursar o ensino médio junto com a formação técnica em turismo.

A mãe estranhou a decisão no primeiro momento, mas apoiou o filho. Veiga ingressou no Colégio Pentágono, em Santo André, também na Região Metropolitana de São Paulo, e fez parte da primeira turma do curso técnico em turismo da instituição.

Depois, seguiu diretamente para a graduação em Turismo na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Parecia que o caminho profissional estava definido, mas uma nova oportunidade mudaria seus planos por alguns anos.

O turismo deu lugar a uma carreira de dez anos em banco

Durante a faculdade, Veiga conheceu Andrea Carolina, com quem está há mais de 20 anos. A família dela tinha uma forte ligação profissional com o setor bancário, e uma tia fez um convite para que ele também entrasse no banco.

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Veiga aceitou. O que parecia uma experiência profissional acabou se transformando em uma carreira de uma década. Ele cresceu dentro da instituição e adquiriu conhecimentos que mais tarde também levaria para o próprio negócio.

O turismo continuava presente, mas principalmente na vida pessoal. A formação ajudava o franqueado a planejar melhor as próprias viagens e encontrar o que ele chama de “caminho das pedras” para aproveitar cada destino.

Só que, apesar dos aprendizados e da carreira construída no banco, Veiga sentia que aquele trabalho não combinava completamente com ele. A ruptura aconteceu quando a instituição decidiu desligá-lo, depois de dez anos de empresa.

Era a primeira demissão de sua vida e também o fim do único emprego com carteira assinada que havia tido.

“Naquele primeiro momento, você se assusta. Eu nunca tinha sido demitido. O que eu faço agora?”, relembra o franqueado.

Anos depois, Veiga reencontrou o antigo superintendente no Mavsa Resort, em Cesário Lange, no interior de São Paulo. O ex-chefe contou que aquela havia sido uma das demissões mais difíceis que precisou fazer. A resposta de Veiga o surpreendeu.

“Eu apertei a mão dele e falei: ‘obrigado’. Se não tivesse acontecido aquilo, acho que eu nunca teria dado o passo que dei para mudar minha vida.” 

Uma matéria sobre franquias trouxe o antigo sonho de volta

Pouco depois da demissão, Veiga estava em casa com Andrea Carolina quando ela encontrou uma matéria da revista Exame sobre franquias que permitiam trabalhar de casa. Foi ela quem percebeu imediatamente a relação entre o modelo da Encontre Sua Viagem e a história do marido.

Até então, a ideia que Veiga tinha de franquia estava associada principalmente a grandes operações físicas e investimentos elevados. A possibilidade de ter uma agência de viagens em home office não fazia parte das alternativas que ele imaginava.

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Andrea mostrou a matéria e incentivou o marido.

“Ela falou: ‘você ama isso. Eu te conheço a vida inteira, você gosta disso. Vamos! A gente consegue segurar as pontas. No começo a gente vai pedalar, mas vai mudar nossa vida’”, conta Veiga.

No dia seguinte, ele entrou em contato para entender melhor o modelo. Durante a conversa, soube que Henrique Mol, Presidente da Encontre Sua Viagem, faria um workshop para futuros franqueados em São Paulo, e decidiu participar.

A identificação aconteceu rapidamente. Para alguém que havia passado dez anos seguindo a rotina de terno e horários do banco, a possibilidade de trabalhar com turismo de maneira mais flexível parecia combinar com a vida que desejava construir.

Em menos de 15 dias, Veiga já havia se tornado franqueado da Encontre Sua Viagem.

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Os primeiros clientes chegaram pelas indicações

Começar a franquia trouxe uma realidade completamente diferente daquela que Veiga conhecia. Durante uma década, seus dias seguiram uma rotina bem definida. De repente, ele estava sozinho em casa e precisava organizar o próprio tempo, aprender os sistemas e descobrir como conquistar clientes.

O conhecimento adquirido durante os estudos ajudou, mas havia uma nova parte prática a dominar. O franqueado passou horas simulando roteiros e testando possibilidades. Chegava a pedir aos amigos destinos aleatórios apenas para aprender como montaria aquelas viagens.

O primeiro cliente levou cerca de dois meses para chegar. Na época, o home office ainda causava estranhamento em algumas pessoas, e Veiga precisou construir confiança pouco a pouco.

A primeira venda veio por indicação de uma funcionária da esposa, Andrea. Depois, um cliente indicou outro, que indicou mais alguém. A corrente continuou e se transformou no principal modelo de captação da agência.

Atualmente, o franqueado afirma que trabalha exclusivamente com indicações e não investe em publicidade paga nas redes sociais.

A segurança também cresceu junto com a experiência. Se no início passar o cartão de um cliente gerava apreensão, hoje Veiga conta que realiza vendas que ultrapassam R$ 100 mil!

Franqueado transformou conhecimento sobre destinos em diferencial

Com o tempo, a curiosidade que começou na infância ganhou uma função profissional. Veiga gosta de pesquisar destinos, hotéis e experiências para surpreender os clientes e usa o conhecimento acumulado em viagens para personalizar os roteiros.

Alguns clientes chegam sem definir sequer o destino e dão ao franqueado liberdade para sugerir uma experiência. Para ele, esses pedidos estão entre os mais desafiadores, principalmente quando atende pessoas que poderiam escolher praticamente qualquer lugar do mundo.

Uma viagem para o Marrocos, no norte da África, é um dos casos que guarda na memória. Foram quatro meses de planejamento e diversas dificuldades para organizar todos os detalhes. Quando os clientes chegaram ao destino, porém, uma mensagem fez o esforço ganhar outro significado.

“Ele me mandou uma foto do hotel e falou: ‘cara, como é que você achou isso? Isso é um oásis’. Naquele momento, você esquece tudo. Tudo valeu a pena.”

O reconhecimento aparece também em experiências mais simples. A geladeira de sua casa reúne ímãs trazidos por clientes e amigos de diferentes partes do mundo. Para Veiga, cada lembrança representa uma história que ajudou a construir.

Ao longo dessa trajetória, o franqueado também começou a alcançar metas pessoais que pareciam distantes nos primeiros meses da agência. Ele queria conhecer diferentes partes do mundo e já conseguiu viajar por todos os continentes.

O turismo passou a fazer parte também da vida da família

Para Luís Veiga, a transformação profissional não pode ser separada da vida pessoal. O negócio permitiu que ele continuasse viajando com a esposa, Andrea Paszczuk, e a filha Valentina, além de proporcionar experiências que considera mais importantes do que qualquer reconhecimento financeiro.

Uma delas aconteceu quando a escola de Valentina o convidou para participar da Semana das Profissões e falar sobre turismo aos alunos. 

“Foi um dos maiores prêmios que eu já recebi, e não era nenhum prêmio. Ser reconhecido profissionalmente pela escola que você escolheu para o futuro da sua filha, acho que não tem prêmio maior”, afirma Veiga.

Para o franqueado, esse tipo de reconhecimento ajuda a dimensionar a transformação que aconteceu desde a saída dele do banco. O retorno financeiro tem importância, mas poder construir algo próprio, proporcionar experiências para a família e perceber o orgulho da filha também fazem parte do resultado.

Fazer parte dos sonhos dos clientes virou seu “Everest”

Veiga costuma usar uma comparação para explicar o que considera sucesso: “alcançar o próprio Everest”. Para ele, a expressão representa aquelas conquistas que parecem difíceis e que ganham significado justamente pelo caminho necessário até chegar a elas.

Seu “Everest” nem sempre está relacionado a faturamento ou grandes vendas. Às vezes, aparece em uma mensagem enviada pela filha de uma cliente.

O franqueado lembra de ter recebido um áudio da menina dizendo que havia conhecido e abraçado o Mickey durante uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. A reação o emocionou.

“Eu desabei. Isso para mim não tem preço”, conta.

Veiga já organizou viagens para clientes com orçamentos muito diferentes. Alguns ficam em hotéis de alto padrão e outros parcelam durante meses para conseguir realizar o sonho da família. Na visão dele, o resultado pode ter exatamente o mesmo valor emocional.

Em setembro de 2025, o franqueado também participou de um famtour em Gramado, no Rio Grande do Sul, promovido pela Trend em parceria com a Encontre Sua Viagem. A experiência permitiu conhecer outros franqueados e fortalecer relações que ele construiu ao longo da trajetória.

Essas conexões ajudam a explicar por que Veiga descreve sua vida antes e depois do empreendedorismo como “água e vinho”. O período no setor bancário trouxe aprendizados importantes, mas foi no turismo que ele encontrou uma atividade com a qual realmente se identifica.

“Vai com medo” virou uma filosofia para empreender

A disposição de Veiga para mudar de carreira também carrega uma lembrança do pai. Quando ainda era criança e pilotava kart, teve medo de dirigir na chuva. O conselho que ouviu naquele momento ficou guardado: se está com medo, vá com medo.

Décadas depois, a frase voltou a fazer sentido diante da demissão, do primeiro negócio, da primeira venda e das incertezas naturais de quem passa de funcionário a empreendedor.

Andrea Carolina também teve papel importante nessa transição. Ela seguiu sua carreira no setor bancário e deu segurança para que o marido construísse o negócio gradualmente. Veiga reconhece na esposa um dos principais alicerces de sua trajetória.

Hoje, quando fala sobre empreendedorismo, ele não ignora os desafios nem apresenta sua história como um caminho automático para o sucesso. Sua experiência foi construída aos poucos, com aprendizado, indicações, relacionamento com clientes e conhecimento cada vez maior do mercado.

A própria estrutura da Encontre Sua Viagem ajudou nisso. Veiga destaca o suporte recebido da rede e as relações que construiu com pessoas da franqueadora ao longo dos anos. Para ele, a estrutura ajudou a fornecer ferramentas e oportunidades para desenvolver a operação.

Porém, talvez a melhor forma de compreender sua trajetória esteja em voltar ao começo. Antes do banco, da demissão e da franquia, havia um menino que recebia dos pais um livro ou uma revista antes de viajar e queria chegar ao destino sabendo onde comer, o que visitar e como se localizar.

Anos depois, Veiga continua fazendo praticamente a mesma coisa. A diferença é que agora outras famílias confiam nele para descobrir onde ir, o que conhecer e quais experiências guardar na memória. A demissão que inicialmente trouxe medo acabou levando o franqueado de volta a um caminho que, de alguma forma, já havia começado muito antes de seu primeiro emprego.

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