A Mixue Ice Cream & Tea, um negócio da China apresentado como a maior rede de fast food do mundo em número de unidades, chegou ao mercado brasileiro em abril de 2026. A primeira unidade foi aberta no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, acompanhada de uma loja de rua na região da 25 de Março.
A marca anunciou investimento de R$ 3,2 bilhões e trata o Brasil como porta de entrada para a América do Sul, com planos de abrir milhares de unidades nos próximos anos. A escolha do Brasil como ponto de estreia na América do Sul não foi aleatória. Segundo Tian Zezhong, CEO da Mixue no país, o argumento central foi a diversidade cultural e econômica do mercado brasileiro.
A meta declarada é abrir de 60 a 100 lojas ainda no ano de estreia, com pelo menos 10 unidades no Rio de Janeiro no segundo semestre. A ApexBrasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, projeta que a presença da rede pode gerar 25 mil empregos até 2030. Para o empreendedor brasileiro que acompanha o setor, entender esse negócio da China ajuda a dimensionar o que muda na disputa pelo consumo de massa.
Diferentemente de cadeias globais que vendem experiência premium, a Mixue cresceu apostando na lógica oposta: preço acessível, lojas enxutas, cardápio simples e giro alto. A proposta concentra a venda em chás, sorvetes de casquinha e limonadas a preços populares.
No Brasil, os produtos custam entre R$ 3 e R$ 12, segundo informações divulgadas pela imprensa econômica. Esse posicionamento de preço é o que sustenta a aposta da rede e diferencia o negócio da China dos concorrentes já estabelecidos no país.
Da barraca de rua à Bolsa de Hong Kong

A história da Mixue começa em 1997, na China. A empresa foi criada por Zhang Hongchao, então estudante de economia, e seu irmão Hongfu.
Segundo relato divulgado pela imprensa, os fundadores tomaram um empréstimo com a avó e iniciaram o negócio com uma barraca de rua que vendia raspadinhas e bebidas geladas. A barraca virou restaurante, que passou a vender sorvete, e o sorvete acabou se tornando o carro-chefe da marca.
Esse negócio da China foi se sofisticando ao longo das décadas. A empresa montou fábricas, desenvolveu logística própria de fornecimento e abriu sua primeira loja internacional em Hanói, no Vietnã, em 2018.
O grupo também criou a Lucky Cup, marca de café, e mantém uma cervejaria chamada Fulu. Em 2021, a companhia passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Hong Kong, onde é listada sob o código HKEX 2097.
Os números financeiros mais recentes ajudam a entender o porte desse negócio da China. Em 2025, o grupo Mixue registrou lucro líquido de 5,89 bilhões de yuans, cerca de US$ 858,8 milhões, com aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior.
A receita do período alcançou 33,6 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 4,9 bilhões, crescimento de 35,2% na mesma comparação. Os dados foram divulgados pela imprensa econômica e refletem o desempenho consolidado da companhia.
A trajetória desse negócio da China se insere em um movimento mais amplo de marcas chinesas que passaram a exportar varejo. A presença chinesa no consumo brasileiro já envolve marketplaces, plataformas de entrega, montadoras de veículos e fabricantes de eletrônicos.
A entrada de uma rede de bebidas e sorvetes adiciona uma categoria nova a essa lista, e o negócio da China deixa de estar restrito a tecnologia e mobilidade para alcançar o consumo cotidiano.
A escala da Mixue, o modelo de negócio da China para o mundo

O tamanho da rede é o dado que mais chama atenção, embora os números variem conforme a fonte e o recorte considerado. Pelo site oficial da Mixue no Brasil, a marca foi fundada em 1997 e soma mais de 53 mil lojas em 13 países, com mais de 18 mil franqueados.
Em outra passagem, o mesmo site informa que, em 30 de junho de 2025, a marca Mixue operava mais de 48 mil lojas no mundo, enquanto a controladora, MIXUE Group, opera mais de 53 mil considerando todas as suas marcas.
A imprensa registrou números próximos, porém distintos. Reportagens citam mais de 47 mil unidades globais e, em outro recorte, cerca de 48 mil estabelecimentos.
O relatório anual de 2026 da empresa aponta 59.823 unidades, total que soma a Mixue Ice Cream & Tea, a cafeteria Lucky Cup e a cervejaria Fulu. Questionada pela imprensa, a companhia informou que o número de lojas do mesmo modelo que estreou em São Paulo é de cerca de 48 mil. A leitura mais segura é tratar cada cifra dentro do seu recorte, e não como um número único.
Mesmo com a variação, o ponto central se mantém: esse negócio da China supera, em quantidade de pontos, redes como McDonald’s e Starbucks. Segundo dados citados pela imprensa, o McDonald’s contava com cerca de 40 mil lojas em 100 países e a Starbucks com aproximadamente 35 mil unidades em 80 países.
A liderança em unidades, porém, não significa liderança em faturamento, justamente porque o modelo desse negócio da China é construído sobre tíquete baixo e volume.
O ritmo de expansão também impressiona. De acordo com dados divulgados pela imprensa, esse negócio da China abriu 38 mil unidades em cinco anos, a uma média de 27 inaugurações por dia. Entre janeiro e setembro de 2024, foram 7.500 franquias inauguradas no período.
A velocidade é uma das características que distinguem o negócio da China de expansões mais convencionais no varejo internacional, e ela só é possível porque a estrutura de abastecimento foi desenhada para escala desde o início, e não adaptada depois.
O público que esse negócio da China pretende alcançar é majoritariamente jovem. A estratégia combina presença em redes sociais, ambientação temática das lojas, com predominância da cor vermelha e do mascote Snow King, um boneco de neve que viralizou na internet, e o estímulo ao compartilhamento de conteúdo pelos consumidores.
As lojas operam, em sua maioria, no formato takeaway, voltado para retirada rápida do pedido. A operação também deve avançar para o delivery, com integração prevista a plataformas de entrega, segundo a imprensa.
Como funciona o modelo do negócio da China

A estrutura por trás desse crescimento é a chave para entender o negócio da China. Mais de 99% das lojas eram franqueadas em setembro de 2024, segundo informações divulgadas pela imprensa, e o mesmo percentual aparece no material da marca, que indica que 99% das unidades são operadas por franquias.
A particularidade está na origem da receita: a maior parte vem da venda de insumos e equipamentos para a rede, e não da cobrança de taxas dos franqueados.
Na prática, esse negócio da China funciona como uma grande plataforma de abastecimento. A empresa afirma operar uma cadeia de suprimentos verticalizada, com rede global de compras em 38 países, cinco bases de produção na China e 27 armazéns próprios, além de sistema dedicado de logística.
Esse desenho explica como a marca conseguiu ganhar escala em ritmo acelerado, mantendo o preço final baixo ao concentrar a margem na operação industrial e logística.
No Brasil, a operação começa de forma diferente do modelo predominante de franquias. Segundo a imprensa, as primeiras unidades são próprias, usadas como vitrine e laboratório para ajustar cardápio, preço, operação e aceitação da marca antes de uma expansão mais ampla.
O cardápio mantém a base global, com sorvete de casquinha, limonada, chás de frutas, chás com leite e café, com adaptações ao paladar local que incluem combinações com café e frutas tropicais.
O abastecimento atual desse negócio da China combina insumos nacionais e importados. Limão, laranja, leite e o açaí, este último previsto para lançamento, são comprados de produtores nacionais, mas a maioria dos insumos e equipamentos ainda vem da China.
Segundo o CEO, se a rede chegar a 1.000 lojas no Brasil até 2030, a expectativa é que a produção passe a ser integralmente nacional por questão de logística. A partir de 2027, há ainda a intenção de comprar café e frutas tropicais brasileiras para abastecer lojas da rede em outros países.
Segundo a companhia, cerca de 97% das equipes das lojas serão formadas por profissionais brasileiros, enquanto uma equipe técnica chinesa atua inicialmente na calibração de máquinas e no treinamento. Cada unidade deve ter de 15 a 20 funcionários.
Quanto custa abrir uma unidade?
Para o empreendedor que avalia o negócio da China como oportunidade, os números de investimento são determinantes. Segundo o site oficial da Mixue Brasil, o investimento inicial parte de R$ 1,4 milhão, valor estimado para lojas de 40 m² a 150 m², que varia conforme o tamanho da unidade.
A marca exige ainda ativos líquidos mínimos de R$ 2 milhões por localização de loja. Esses valores posicionam a operação fora da faixa de microfranquia e a colocam no patamar de investimento alto dentro do franchising brasileiro.
O investimento inicial inclui todos os custos pré-abertura, como obra e reforma da loja, equipamentos, estoque inicial de matérias-primas, aluguel, recrutamento de equipe e a taxa de franquia.
Como referência, o site informa que o custo estimado de equipamentos para uma única loja fica entre R$ 250 mil e R$ 350 mil, e que os custos de obra e reforma variam de R$ 4.500 a R$ 6.000 por metro quadrado. O tamanho mínimo exigido para uma loja no Brasil é de 50 metros quadrados.
As taxas recorrentes são um diferencial comunicado pelo negócio da China. Segundo o site oficial, os royalties ficam na faixa de 0% a 2%, e a taxa de publicidade é de 0%.
A taxa anual total informada é de R$ 23 mil por ano, valor que cobre taxa de franquia, suporte operacional e treinamento, e há ainda uma taxa de revisão de localização de R$ 1.000 por ponto. A empresa explica que mantém os royalties em faixa mínima como parte de uma lógica de parceria de longo prazo com o franqueado.
Sobre retorno financeiro, esse negócio da China não faz promessas objetivas. O material da marca afirma que a lucratividade depende de fatores como custos operacionais, ocupação, condições de financiamento e capacidade do franqueado de operar o negócio de forma eficaz.
Com base em estimativas internas, a empresa informa que o custo de matérias-primas representa cerca de 35% a 40% das vendas dos produtos. Não há, no material fornecido, projeção de prazo de retorno, e a ausência desse dado deve ser considerada por quem analisa a oportunidade.
O processo de franquia segue cinco etapas, segundo o site oficial. O candidato preenche um formulário de inscrição, passa por entrevista e avaliação com a equipe de desenvolvimento de negócios, tem o ponto comercial avaliado, assina o contrato de franquia e parte para o treinamento e a inauguração.
Conforme o material, as entrevistas costumam ser concluídas em cerca de duas semanas após o envio da inscrição, e a etapa de negociação e assinatura do contrato de locação geralmente leva de 1 a 12 semanas. A responsabilidade por identificar o ponto comercial é, em geral, do próprio franqueado.
O mercado de alimentação e os sorvetes

A chegada da Mixue ocorre em um setor de franquias robusto. O franchising brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 301,7 bilhões, alta de 10,5% sobre o ano anterior, segundo a Pesquisa de Desempenho do Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
O setor reúne 3.297 redes e 202.444 operações, presentes em cerca de 80% dos municípios do país, com projeção de crescimento entre 8% e 10% para 2026. Uma única rede que opera dezenas de milhares de pontos no mundo, como esse negócio da China, dá a medida de quão concentrada pode ser a operação quando o modelo prioriza padronização extrema e logística verticalizada.
O segmento de alimentação tem peso relevante nesse total. Segundo a ABF, a Alimentação Food Service faturou R$ 51,8 bilhões em 2025, alta de 10,8%, enquanto a Alimentação Comercialização e Distribuição somou R$ 30,8 bilhões, crescimento de 12,9% no ano.
Esses números mostram que o ambiente em que o negócio da China se instala segue em expansão, ainda que a competição seja intensa e a fidelização do consumidor seja disputada por marcas consolidadas.
Dentro desse mercado, o setor de sorvetes já é habitado por diversos competidores. Segundo descrição divulgada pela imprensa, ele opera em camadas relativamente estáveis.
Há os fabricantes de larga escala, como Kibon e Nestlé. Há as redes de fast food, como McDonald’s, Bob’s e Burger King, que oferecem sorvete em lojas e quiosques. E há as franquias especializadas, como Chiquinho e Oggi, além de redes emergentes como Rochinha, Milk Shake Up, Mr Mix, Ice Creamy e Gela Boca. Veja mais alternativas de franquias de sorveteria em nosso post anterior!
O segmento conta ainda com marcas premium e artesanais, como Bacio di Latte e Gelato Borelli, com crescimento expressivo. Operações como a Cacau Show, que segundo a imprensa oferece sorvetes em muitas de suas cerca de 5.000 lojas, também participam dessa disputa.
No ranking das 50 maiores franquias da ABF referente a 2025, a Cacau Show aparece na liderança com 4.713 operações, enquanto Oggi Sorvetes registra 1.312 unidades e Chiquinho Sorvetes 1.029, o que dá a dimensão do porte das redes especializadas.
A imprensa aponta que as marcas líderes, Unilever e Kibon, detêm entre 30% e 35% do total do mercado, o que sinaliza um grau de concentração relativamente baixo e abre espaço para novos jogadores.
É nesse vão que esse negócio da China quer crescer, disputando menos com cafeterias premium e mais com o consumo por impulso em shopping centers e redes de fast food. A proposta de preço acessível é o eixo dessa estratégia de entrada.
Cuidados antes de investir

Quem considera esse negócio da China como investimento precisa observar os alertas formais divulgados pela própria marca. A Mixue informa que não concede direitos de master franquia nem de desenvolvimento de área no Brasil, e que todos os assuntos relacionados a franquias devem ser tratados diretamente com a empresa, sem intermediários, agentes ou terceiros autorizados.
O aviso antifraude orienta que dúvidas sejam esclarecidas pelos canais oficiais da marca.
A própria empresa esclarece que o material de divulgação não constitui uma Circular de Oferta de Franquia, a COF. Conforme a Lei nº 13.966/2019, a Lei de Franquias, o candidato deve receber a COF antes de qualquer decisão de investimento, com todas as informações obrigatórias sobre a franqueadora, custos iniciais, taxas contínuas, direitos e obrigações das partes e histórico de desempenho.
A legislação determina prazo mínimo de dez dias entre a entrega da COF e a assinatura do contrato ou o pagamento de qualquer taxa, e a recomendação é revisar o documento com apoio de consultores jurídicos, contábeis e financeiros.
Os valores e projeções apresentados pela marca são estimativas para fins informativos, e os números reais podem variar conforme localização, condições de mercado, tamanho da loja e custos de aluguel, reforma e equipamentos.
A empresa também reserva o direito de modificar requisitos de franquia, taxas e estruturas de custo ao longo do tempo, em conformidade com a legislação aplicável. Para o investidor, isso reforça a necessidade de validar cada número na COF e não tomar o material promocional como contrato.
Há ainda um ponto operacional relevante na Mixue. Antes da aprovação formal e por escrito do ponto comercial, o candidato deve evitar declarar a proprietários, corretores ou terceiros que um imóvel se destina a uma loja Mixue, para não gerar implicações comerciais não intencionais.
A autorização para uso da marca na negociação do contrato de locação é limitada e condicionada à aprovação formal do ponto, e não cria relação de agência ou parceria por si só.
A análise de um negócio da China como a Mixue exige equilíbrio entre o entusiasmo com a escala global e o rigor na avaliação dos números. A marca combina presença internacional ampla, proposta de preço acessível e taxas recorrentes baixas, mas exige investimento inicial alto, ativos líquidos expressivos e não apresenta projeção de retorno no material fornecido.
A operação no Brasil ainda está em fase inicial, começando por lojas próprias, o que significa que o histórico local de desempenho de franqueados ainda está em construção.
Para o empreendedor, a recomendação prática é tratar a COF como documento central da decisão, comparar o investimento com outras opções do setor de alimentação e dimensionar o ponto comercial e o capital de giro com base na realidade do mercado local, e não apenas na força da marca.



