O que é empreender no Brasil de hoje? Para 43,8 milhões de pessoas, é a forma como ganham a vida. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, divulgada pelo Sebrae em março de 2026, aponta que 31,6% da população adulta brasileira está envolvida em alguma atividade empreendedora, seja gerindo um negócio próprio com mais de 3,5 anos de operação, seja em fase inicial de implantação.
Os números não param aí. Somando empreendedores em atividade aos chamados empreendedores potenciais, ou seja, pessoas que não têm negócio mas pretendem abrir um nos próximos três anos, o Brasil chega a 86,3 milhões de pessoas dentro desse universo. A cifra coloca o país na segunda posição global em volume absoluto, atrás apenas da Índia, segundo o levantamento internacional.
O sonho de ter o próprio negócio também subiu no ranking dos desejos do brasileiro. Passou de 34% em 2024 para 40% em 2025, conforme a mesma pesquisa, e reassumiu a segunda posição na hierarquia nacional de aspirações, atrás apenas da casa própria. Foi o item que mais cresceu no levantamento, com avanço de seis pontos percentuais. Entender o que significa empreender hoje no Brasil exige olhar não apenas para a definição clássica do termo, mas também para o perfil de quem decide abrir o próprio negócio e para os formatos disponíveis no mercado.
Afinal, o que é empreender?

Empreender é a capacidade de identificar uma oportunidade, transformar ideia em produto ou serviço e assumir os riscos para entregar valor a um público. Mais do que abrir empresa, o termo descreve um comportamento orientado à ação, à resolução de problemas e à criação de algo novo. O economista austríaco Joseph Schumpeter ancorou o conceito moderno na noção de inovação, ao definir o empreendedor como o agente das “novas combinações” na economia, capaz de introduzir bens, métodos e mercados antes inexistentes.
No Brasil, o universo de quem empreende é heterogêneo. Os dados da GEM 2025 separam três estágios. Os empreendedores nascentes, com até três meses de operação ou em gestação, somam 12,3 milhões. Os novos, entre três meses e 3,5 anos, são 14,9 milhões. Os estabelecidos, com mais de 3,5 anos de atividade, totalizam 17,2 milhões. Juntos, formam a Taxa Total de Empreendedores, ou TTE, equivalente aos 31,6% da população adulta.
Há ainda outra fotografia, complementar, vinda da Demografia das Empresas do IBGE pela tabela 9924 do Sistema SIDRA, com dados de 2022, último ano disponível. O instituto registrou 2,6 milhões de empresas empregadoras no país, com 405 mil nascimentos no ano e taxa de natalidade empresarial de 15,3%. Essas empresas ocupavam 40,5 milhões de pessoas, das quais 36,5 milhões com contrato formal de trabalho. A massa salarial movimentada chegou a R$ 1,4 trilhão.
O Sebrae aponta, em levantamento de 2025-2026, que o Brasil tem mais de 21,7 milhões de pequenos negócios, o que representa 97% do total de empresas do país. Entre eles, 11,6 milhões são Microempreendedores Individuais (MEI). Em 2024, micro e pequenas empresas responderam por 72% dos novos empregos formais criados no ano.
A taxa de mortalidade dos negócios é tema central para quem pretende empreender. Dados do IBGE indicam que cerca de 60% das empresas brasileiras fecham em até cinco anos após a abertura, com aproximadamente 20% encerrando atividades já no primeiro ano. Em dez anos, apenas uma em cada quatro empresas sobrevive. Os MEIs concentram uma das maiores taxas de fechamento entre os formatos jurídicos.
A mortalidade varia por setor. Após cinco anos, o Comércio apresenta a maior taxa de fechamento, com 30,2%, seguido por Indústria de Transformação, com 27,3%, e Serviços, com 26,6%, segundo o Sebrae. No recorte regional, o Sul tem 44% de sobrevivência empresarial após cinco anos, enquanto o Norte fica em 35,6%. As principais causas apontadas para o encerramento incluem ausência de plano de negócios sólido, gestão financeira deficiente, dificuldade de inovação diante das mudanças de mercado e definição inadequada de preços e margens.
O que é empreender para a maioria das pessoas?

O empreendedor brasileiro médio não está no perfil de fundadores de startups bilionárias. Os dados da GEM 2025 mostram que, entre os iniciais que decidiram empreender no país, 74% têm ensino médio ou menos, 62% são pretos ou pardos e 53% ganham até três salários mínimos. Outros 81% recebem até seis salários mínimos.
A escolaridade é uma das marcas do perfil. Cerca de 48% dos iniciais têm ensino médio completo, e apenas 26% têm ensino superior completo ou mais. Esse dado, contudo, mudou em 2025: entre os empreendedores estabelecidos, cresceu a participação dos com nível superior e caiu a dos com fundamental, sinal de profissionalização do setor.
Do ponto de vista financeiro, o rendimento médio real do dono de negócio brasileiro era de R$ 3.162 mensais no último trimestre de 2023, segundo levantamento KR02 do Sebrae com base na PNADC. O valor cresceu 4,9% em termos acumulados entre o quarto trimestre de 2019 e o quarto trimestre de 2023, com média de 1,2% ao ano. Há grande dispersão regional. No Distrito Federal, o rendimento médio chegava a R$ 4.742 no período. No Maranhão, ficava em R$ 1.549.
Há outra estatística que sintetiza esse perfil. Em 2025, 58% dos empreendedores iniciais brasileiros começaram o negócio por oportunidade, segundo a GEM. A motivação “porque os empregos são escassos” caiu para 71%, a menor proporção da série histórica, indicando que o empreendedorismo brasileiro está deixando de ser, predominantemente, opção por falta de alternativa.
O que é empreender em casa?

Empreender em casa virou movimento de massa no Brasil pós-pandemia. O levantamento KR02 do Sebrae mostra que o rendimento médio real dos donos de negócio que trabalham no próprio domicílio cresceu 34,4% entre o quarto trimestre de 2019 e o quarto trimestre de 2023, a maior alta registrada entre todos os locais de trabalho analisados. Atrás vieram os que atuam em domicílio de sócio ou cliente, com 26,5%.
O fenômeno tem várias explicações combinadas. Houve o efeito da pandemia, que normalizou o home office e empurrou parte dos profissionais para arranjos autônomos. Houve também o avanço de canais digitais e a digitalização das microvendas, com marketplaces e redes sociais virando vitrines acessíveis a quem não tem ponto comercial. A redução de custos fixos é outro motor: sem aluguel de loja, o ponto de equilíbrio cai e a margem de lucro tende a crescer.
A Associação Brasileira de Franchising registra esse movimento no setor. Segundo o dossiê de desempenho do franchising 2025, 51% das vinte maiores franquias de menor investimento operam em formato online. As lojas físicas representam 45%, e os quiosques, apenas 4%. O recorte mostra como o digital ganhou tração entre redes pensadas para entrada mais acessível no franchising.
Para quem pretende empreender de casa, alguns formatos se destacam. Negócios digitais como infoprodutos, consultoria remota, e-commerce próprio e gestão de redes sociais para terceiros estão entre os mais escaláveis. Serviços profissionais autônomos como contabilidade, design, arquitetura, tradução e desenvolvimento de software também se adaptam ao modelo. Há ainda atividades artesanais e gastronômicas, geralmente vinculadas a venda por aplicativo ou delivery.
O que é empreender sendo mulher?

A presença feminina no empreendedorismo brasileiro avançou nas últimas décadas, mas com sinais contraditórios em 2025. O Sebrae registra mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios no país, com crescimento de 27% em dez anos, superior ao ritmo masculino no mesmo período. As mulheres têm forte presença em setores como serviços, comércio, beleza e alimentação.
No franchising, a virada foi expressiva. A pesquisa Mulheres no Franchising 2024, da Associação Brasileira de Franchising, mostra que 57% das redes franqueadoras têm participação feminina, ante 46% em 2015. Em cargos de liderança, as mulheres saltaram de 19% para 29% no mesmo período. Nas operações franqueadas, 51% dos colaboradores são mulheres, e 32,2% de todas as operações, próprias ou franqueadas, são dirigidas ou operadas por elas.
A profissionalização também acompanhou o crescimento. O percentual de mulheres em cargos de liderança com vínculo familiar com sócios caiu de 22% em 2015 para 7% em 2024, sinal de que as empresas estão buscando executivas de mercado em vez de parentes diretas. Empresas com plano estratégico de diversidade subiram de 29% para 63% no período.
Há um alerta importante, contudo. A GEM 2025 aponta que a participação feminina entre empreendedores iniciais caiu para 39,5% em 2025, ante 46,8% no ano anterior. A interpretação dos especialistas é que o mercado de trabalho aquecido pode estar atraindo mulheres de volta a empregos formais, especialmente entre as de menor escolaridade e renda.
A diferença de rendimento ainda persiste. Segundo o KR02 do Sebrae, donos de negócio homens ganhavam R$ 3.432 no último trimestre de 2023, contra R$ 2.634 das mulheres, gap de 30%. A diferença caiu em relação aos 32% de 2019, mas continua relevante. Empreender sendo mulher, portanto, ainda é tarefa que combina avanços históricos e desigualdades estruturais que se manifestam em renda, acesso a crédito e visibilidade no mercado.
O que é empreender para ter uma 2ª renda?

Empreender para complementar a renda virou caminho comum entre brasileiros com emprego fixo, aposentadoria ou estudo em curso. A motivação é direta: aumentar o orçamento doméstico sem abrir mão da estabilidade. Os dados da GEM 2025 reforçam esse perfil ao mostrar que 81% dos empreendedores iniciais ganham até seis salários mínimos, faixa que inclui muitos profissionais que combinam ocupações.
Os modelos mais procurados são aqueles que cabem em períodos parciais ou exigem pouca presença física do dono. Vendas online por marketplace, dropshipping, infoprodutos e prestação de serviços autônomos lideram. Modelos que operam 24 horas sem intervenção humana direta, como mercados autônomos, vending machines e e-commerce automatizado, também ganharam tração nos últimos anos.
Empreender para uma segunda renda exige, contudo, planejamento financeiro e jurídico. Profissionais com vínculo empregatício precisam verificar cláusulas de exclusividade no contrato de trabalho e considerar a abertura de CNPJ pelo regime de MEI, microempresa ou similar para formalizar a operação. Negócios sem registro impedem emissão de nota fiscal, dificultam acesso a crédito e expõem o empreendedor a passivos tributários.
O que é empreender na terceira idade?
O empreendedorismo sênior cresceu de forma expressiva no Brasil. Dados disponíveis sobre a evolução dos empreendedores com mais de 60 anos mostram que o grupo passou de 2,8 milhões no primeiro trimestre de 2012 para 4 milhões no quarto trimestre de 2023, o maior valor da série histórica. O avanço de cerca de 1,2 milhão em pouco mais de uma década combina envelhecimento populacional, aumento da longevidade e busca por renda complementar à aposentadoria.
A pandemia de Covid-19, porém, afetou o grupo de forma desproporcional. Entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2020, o número de empreendedores sêniores recuou 520 mil, em queda concentrada em segmentos mais vulneráveis. A recuperação posterior foi rápida, e o pico atual supera o patamar pré-pandêmico.
A GEM 2025 também trouxe novidade nesse recorte. A pesquisa incorporou, pela primeira vez no Brasil, a faixa etária de 65 a 74 anos ao questionário, sinal de que o tema entrou no radar metodológico do levantamento internacional. Entre os empreendedores iniciais, a faixa acima de 45 anos atingiu 33,7% em 2025, a maior proporção da série histórica e indicador de que pessoas mais experientes têm entrado em maior número no empreendedorismo.
Empreender na terceira idade tem motivações próprias. A complementação de aposentadoria responde por parte significativa, especialmente entre mulheres, cujos benefícios costumam ser menores. Há também o desejo de manter atividade produtiva e o aproveitamento de redes de contato consolidadas ao longo da carreira. Os negócios mais comuns nesse grupo incluem consultoria, comércio especializado, prestação de serviços profissionais e franquias de menor complexidade operacional. Para quem decide empreender após os 60 anos, a experiência acumulada costuma ser ativo competitivo relevante diante de iniciantes mais jovens.
O que é empreender com franquias?

O sistema de franquias virou caminho consolidado para quem quer empreender com modelo testado. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o setor faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, alta de 10,5% sobre o ano anterior e maior valor da história do franchising brasileiro. O dossiê de desempenho foi divulgado em março de 2026 e supera as projeções iniciais da entidade, que estimavam crescimento entre 8% e 10% para o ano.
O peso do setor na economia é expressivo. As redes empregam 1,76 milhão de trabalhadores diretos, com média de nove empregos por operação. Há 3.297 redes ativas, com 202.444 operações distribuídas pelo país. O franchising chega a cerca de 80% dos municípios brasileiros, segundo a ABF, e responde por parcela relevante do varejo e dos serviços formais.
O modelo de franquia oferece dois ativos centrais ao franqueado. O primeiro é a marca, com reconhecimento de mercado já construído pela franqueadora. O segundo é o suporte operacional, que inclui treinamento, padrão de processos, fornecimento de produtos ou serviços e apoio em gestão. Esses elementos diferenciam a franquia de um negócio independente, em que o empreendedor precisa construir tudo do zero.
O diferencial também se traduz em sobrevivência empresarial. A ABF destaca que empreender pelo sistema de franquias expõe o investidor a uma taxa de mortalidade baixa em comparação à dos negócios independentes, fenômeno atribuído ao apoio da franqueadora e à padronização operacional. No primeiro trimestre de 2025, o setor registrou 4,4% de aberturas, 1,6% de encerramentos e saldo positivo de 2,8% nas operações, com acréscimo líquido de 7.354 unidades sobre o mesmo período de 2024 e total de 198.730 operações ativas. O contraste é direto com a mortalidade média da economia geral.
Os segmentos com maior crescimento em 2025 foram Limpeza e Conservação, com 16,8% de alta, Saúde, Beleza e Bem Estar, com 14,6%, e Alimentação Comercialização e Distribuição, com 12,9%. Em valores absolutos, Saúde, Beleza e Bem Estar liderou com R$ 74,3 bilhões em faturamento, seguido por Alimentação Food Service com R$ 51,8 bilhões.
Para 2026, a ABF projeta crescimento entre 8% e 10% no faturamento do setor, aumento de 2% a 4% no número de redes e expansão de 1% a 3% nas operações e empregos diretos. As perspectivas se ancoram em consumo doméstico resiliente, mercado de trabalho aquecido e desaceleração gradual da inflação.
| Franquia | Investimento Inicial | Prazo de Retorno |
|---|---|---|
| StartSeg | R$ 3.990 | 3 meses |
| Encontre Sua Viagem | R$ 10.000 | 3 a 24 meses |
| On Power | R$ 14.285 | a partir de 3 meses |
| Keep Charged | R$ 14.900 | 4 a 8 meses |
| RHF Talentos | R$ 15.400 | 3 a 6 meses |
| LIEN Corretora | R$ 15.900 | 6 a 12 meses |
| Top3 Seguros | R$ 15.900 | 6 a 9 meses |
| Azul Empréstimo | R$ 15.900 | 3 a 6 meses |
| Emive | R$ 19.900 | 28 dias |
| AcquaZero | R$ 25.600 | 3 a 24 meses |
| Beelieve | R$ 37.999 | 6 a 24 meses |
| Maria Brasileira | R$ 49.300 | 12 a 18 meses |
| Estação Nutri | R$ 50.000 | 9 a 14 meses |
| BeVitta | R$ 50.000 | 12 meses |
| Dona Help | R$ 51.000 | 10 a 14 meses |
| Acuidar | R$ 55.000 | 6 a 15 meses |
| UPTIME | R$ 72.500 | 6 a 18 meses |
| Piradinhos | R$ 89.900 | 15 a 18 meses |
| Dehon | R$ 90.000 | 28 meses |
| Camerite | R$ 100.000 | 18 a 24 meses |
| Bellife | R$ 100.000 | 16 a 20 meses |
| Mr. Fritz | R$ 120.000 | 12 a 18 meses |
| Blitz Bebidas | R$ 125.000 | 14 a 16 meses |
| 7SevenCar | R$ 142.000 | 18 a 26 meses |
| Capitano | R$ 149.250 | 18 a 26 meses |
| JustGoFit | R$ 160.000 | 9 a 12 meses |
| SuperNível | R$ 163.650 | 12 meses |
| Engegrow | R$ 170.000 | 18 meses |
| Instituto Visão Solidária | R$ 190.000 | a partir de 12 meses |
| Xô Varal | R$ 218.000 | 20 a 24 meses |
| JAH do Açaí | R$ 270.000 | 17 a 24 meses |
| LocExpress | R$ 275.000 | 24 a 36 meses |
| Di Blasi | R$ 300.000 | 18 a 22 meses |
| Sorpack | R$ 349.000 | 28 a 34 meses |
| Corpo Bueno | R$ 371.500 | 24 a 36 meses |
| Tudodvet | R$ 400.000 | 24 a 36 meses |
| Zaplus Car | R$ 400.000 | 18 a 24 meses |
O que é empreender mesmo sendo CLT?
Manter o emprego com carteira assinada e empreender ao mesmo tempo deixou de ser exceção. Os modelos que permitem essa combinação dependem de baixa demanda de presença física do dono e de operação razoavelmente automatizada. As franquias de mercados autônomos, vending machines e plataformas digitais lideram esse arranjo.
O conceito é simples. Em um mercado autônomo, o ponto opera 24 horas por dia sem operadores, com pagamento por reconhecimento facial, QR code ou aplicativo. O franqueado gerencia o estoque, faz reposição em horários flexíveis e acompanha a operação por sistemas integrados. Modelo semelhante aplica-se a máquinas de café, snacks, bebidas e serviços de autoatendimento.
A ABF mostra a força desse segmento. Entre as vinte maiores franquias de menor investimento, três marcas de mercados autônomos figuram na lista: Honest Market Brasil, com 606 unidades, Fast4You Home Market, com 546, e Minha Quitandinha, estreante com 769 operações. As três estão concentradas em condomínios residenciais e empresariais, espaços corporativos e áreas comuns de prédios.
Para quem é CLT, esse formato resolve uma equação central. O dono não precisa estar fisicamente no ponto durante o expediente. A operação roda enquanto ele trabalha em seu emprego principal, e a presença do franqueado se concentra em reposições periódicas, manutenção e gestão financeira. A receita complementar entra sem comprometer a renda fixa do emprego com carteira.
Para empreender com franquias paralelamente ao vínculo CLT, é fundamental verificar o contrato de trabalho. Cláusulas de exclusividade, não concorrência e dedicação total podem impedir o acúmulo de atividades. A formalização do negócio, com CNPJ próprio em regime adequado, é exigência tributária e ajuda a proteger o patrimônio do empreendedor.
O que é empreender por necessidade?
Empreender por necessidade é o caminho de quem abre um negócio porque não vê alternativa de emprego ou renda. No Brasil, esse perfil predominou historicamente, mas perdeu peso recente. A GEM 2025 mostra que 71% dos empreendedores iniciais brasileiros declararam a motivação “ganhar a vida porque os empregos são escassos”, menor percentual da série histórica do levantamento. Em paralelo, 58% disseram empreender por oportunidade, alta de três pontos sobre 2024.
A redução, contudo, não elimina o fenômeno. A informalidade ainda marca parte significativa do empreendedorismo brasileiro, especialmente em setores de comércio popular, serviços domésticos e revenda de produtos. Para quem inicia por necessidade, as franquias com investimento inicial mais acessível têm se consolidado como porta de entrada estruturada para o sistema empresarial.
O ranking das vinte maiores franquias de menor investimento, publicado pela ABF em 2026, traz pistas sobre esse mercado. A Cotafácil, do segmento de Serviços e Outros Negócios, lidera com 1.611 operações e crescimento de 105% em 2025, o maior do grupo. Em seguida vêm Azul Empréstimo, com avanço de 57,4%, e É Seguro Corretora, com 44,8%. Os três casos mostram que o segmento de Serviços e Outros Negócios concentra 58% das franquias de menor investimento.
O perfil das redes deste recorte ajuda a entender o caminho. Cerca de 55% das franquias de menor investimento têm entre quatro e dez anos de atuação, 25% têm até três anos e 20% atuam entre 11 e 20 anos. A maioria, 51%, opera em formato online, contra 45% em loja física e 4% em quiosque. A origem brasileira responde por 95% das marcas, e a distribuição regional concentra 46% no Sudeste e 21% no Sul.
Empreender por necessidade pode, portanto, deixar de ser sinônimo de informalidade ou improviso. A formalização via franquia barata oferece marca consolidada, suporte operacional e estrutura jurídica, três elementos que reduzem o risco do empreendedor estreante e elevam a chance de sobrevivência do negócio nos primeiros anos, considerados os mais críticos.
O que é empreender no Brasil?
Empreender no Brasil deixou de ser sinônimo apenas de abrir empresa para virar conceito amplo, que cobre desde o vendedor informal de marmita à executiva à frente de uma rede de franquias. Os 43,8 milhões de pessoas envolvidas hoje em atividade empreendedora compõem um retrato heterogêneo, com dinâmica própria por gênero, faixa etária, escolaridade e região. A diversificação de modelos, do home office ao mercado autônomo, do empreendedorismo feminino à atuação sênior, ampliou as portas de entrada e tornou o sistema mais sofisticado.
Para quem está pensando em empreender, alguns números resumem o cenário. A formalização ganhou peso, com 11,6 milhões de Microempreendedores Individuais MEIs registrados. O franchising consolidou-se como caminho estruturado, com R$ 301,7 bilhões de faturamento em 2025. A oportunidade superou a necessidade como motivação principal. E ter o próprio negócio voltou ao segundo lugar no ranking dos sonhos do brasileiro. As decisões individuais, porém, seguem sendo individuais, e dependem de planejamento, capital, perfil e estudo prévio do mercado em que se pretende atuar.
Agora que você já sabe o que é empreender no Brasil, veja também a nossa série: “Franquias e empreendedorismo pelo mundo”.



