Com mais de 320 unidades no Brasil, a Lave & Pegue Lavanderia prepara a abertura das primeiras operações em Portugal e Espanha e acompanha o crescimento de um mercado europeu que pode ultrapassar US$ 9 bilhões até 2030. A trajetória da rede resume um fenômeno que vem ganhando força no franchising nacional: a internacionalização deixou de ser um movimento restrito às grandes multinacionais e passou a integrar a estratégia de crescimento de redes brasileiras de todos os portes.
Com modelos de negócios replicáveis, investimento relativamente baixo e forte capacidade de adaptação cultural, empresas nacionais começam a ocupar espaço em mercados maduros, especialmente no continente europeu. O processo de internacionalização exige planejamento rigoroso, mas tem se mostrado viável para redes que souberam validar seus modelos antes de cruzar fronteiras. O setor de serviços automatizados, em especial, desponta como um dos mais ativos nessa corrida por novos territórios.
Por que a Europa atrai o franchising brasileiro

A escolha da Europa como destino prioritário para a internacionalização de franquias brasileiras não é casual. O continente reúne uma série de características que o tornam atraente: mercados consumidores consolidados, infraestrutura urbana desenvolvida, alta densidade populacional nas grandes cidades e uma cultura de consumo de serviços bem estabelecida.
Além disso, países como Portugal e Espanha apresentam vínculos históricos e linguísticos com o Brasil que facilitam a chegada de empresas nacionais ao continente. A presença expressiva de brasileiros em Lisboa e em outras capitais europeias também contribui para reduzir as barreiras iniciais de entrada, oferecendo uma base de consumidores familiarizados com as marcas que chegam do Brasil.
No caso específico do setor de lavanderias, a cultura europeia de uso regular desse serviço representa uma vantagem competitiva importante. Em muitos centros urbanos do continente, as pessoas utilizam lavanderias de forma rotineira, o que cria um ambiente naturalmente favorável para modelos automatizados. Esse contexto diferencia a expansão de redes do setor em relação a outros segmentos que precisam educar o mercado antes de escalar.
O CEO da Lave & Pegue Lavanderia, Bruno Leite, resume bem essa percepção ao destacar que a relação da Europa com lavanderias é muito mais natural do que a observada no Brasil. Para ele, isso cria um ambiente favorável para a expansão de modelos automatizados e torna a entrada no mercado menos dependente de campanhas de conscientização do consumidor.
Outro fator que pesa na decisão de mirar a Europa é a estabilidade econômica e jurídica do continente. Países da União Europeia oferecem um ambiente regulatório previsível, com regras claras para o funcionamento de franquias e proteção aos contratos. Essa previsibilidade reduz incertezas para empresas em expansão global e facilita o planejamento de longo prazo, algo fundamental para quem está construindo uma presença em múltiplos países ao mesmo tempo.
A infraestrutura de apoio ao franchising na Europa também conta pontos. Consultorias especializadas, eventos setoriais, redes de investidores e associações de franqueados formam um ecossistema que facilita a chegada de marcas estrangeiras e acelera a curva de aprendizado das redes que buscam novos mercados.
A Lave & Pegue e a rota para Lisboa

Fundada no Rio de Janeiro em 2020, a Lave & Pegue Lavanderia construiu em poucos anos uma rede com mais de 320 unidades comercializadas no Brasil. A velocidade de crescimento no mercado doméstico criou as condições necessárias para dar o próximo passo: a internacionalização.
A empresa escolheu Portugal e Espanha como portas de entrada para a Europa e trabalha para iniciar as primeiras operações internacionais a partir de julho de 2026. Lisboa será o ponto de partida do processo de internacionalização, com a rede buscando ativamente um ponto comercial na capital portuguesa para iniciar as obras da primeira unidade.
A operação conta com um investidor local para estruturar a presença no país, o que é um padrão recorrente nos processos de internacionalização bem-sucedidos: a parceria com um empresário que conhece o ambiente regulatório, cultural e comercial do destino reduz riscos e acelera a adaptação do modelo. Escolher parceiros locais qualificados é, na avaliação de especialistas do setor, uma das decisões mais estratégicas para quem deseja crescer de forma sustentável no exterior.
A expectativa da empresa é abrir cerca de 15 lojas em Portugal até o final de 2026, considerando tanto modelos de loja de rua quanto unidades no formato container. O investimento inicial para o franqueado europeu varia entre US$ 45 mil e US$ 55 mil, com previsão de retorno em aproximadamente 18 meses. Esses números posicionam a rede de forma competitiva no mercado europeu, oferecendo um modelo acessível em comparação com outras redes do setor.
Lisboa como hub estratégico

A capital portuguesa reúne atributos que a tornam um hub estratégico para a internacionalização de marcas brasileiras. Alta densidade urbana, fluxo intenso de turistas, demanda crescente por serviços práticos e uma comunidade brasileira numerosa formam um conjunto de fatores que facilitam o estabelecimento de novas operações.
Para redes de franquias em expansão internacional, Lisboa funciona quase como um laboratório em escala real: o mercado é exigente o suficiente para testar a robustez do modelo, mas conta com uma receptividade cultural ao empreendedorismo brasileiro que reduz algumas das fricções típicas do processo de entrada em novos países.
Outro fator relevante nesse processo via Portugal é o ambiente regulatório. O país integra a União Europeia, o que significa que a experiência adquirida em Lisboa pode ser aproveitada para futuras expansões em outros mercados do bloco com menos ajustes do que seria necessário em países fora da zona regulatória europeia. Isso transforma Portugal em uma plataforma de crescimento para redes que pensam em ocupar o continente de forma mais ampla.
O idioma, naturalmente, também pesa na decisão. A expansão para Portugal elimina a barreira linguística e permite que a comunicação com franqueados, fornecedores e consumidores se dê de forma mais fluida desde o início das operações, o que representa uma vantagem considerável em relação a outros destinos europeus.
Espanha: mercado robusto para o setor

Se Portugal funciona como porta de entrada para a chegada da Lave & Pegue na Europa, a Espanha aparece como um mercado ainda mais robusto para o setor de lavanderias. O mercado espanhol do segmento movimentou cerca de US$ 660 milhões em 2022, com projeção de atingir aproximadamente US$ 985 milhões até 2030, impulsionado pelo crescimento urbano e pela busca por serviços de conveniência.
Esse crescimento acompanha uma tendência maior: o mercado europeu de lavanderias self-service deve alcançar cerca de US$ 9,08 bilhões até o fim da década, segundo projeções do setor. Para redes em expansão para novos países, esses números indicam que o timing da entrada é favorável: o mercado ainda está em expansão, o que significa que há espaço para novos players mesmo em países com tradição no serviço.
A maturidade do mercado espanhol representa, para a rede brasileira, uma oportunidade de internacionalização em um ambiente já acostumado ao serviço. Consumidores que já utilizam lavanderias regularmente precisam de menos convencimento e apresentam maior predisposição a experimentar novos modelos de operação.
Cidades como Madri e Barcelona concentram as características que tornam a expansão de redes de serviços urbanos mais rentável: população densa, ritmo de vida acelerado, renda disponível elevada e uma cultura de terceirização de tarefas domésticas bem consolidada. Para uma rede que opera com lavanderias automatizadas e atendimento assistido, esse perfil de consumidor é especialmente favorável.
Tendências que favorecem a expansão

O crescimento do franchising brasileiro no exterior ocorre em um momento em que tendências globais favorecem modelos de serviços urbanos automatizados. A aceleração da vida nas grandes cidades, o envelhecimento da população em países europeus e a crescente valorização do tempo como recurso escasso criam uma demanda estrutural por serviços que resolvam tarefas cotidianas de forma prática e acessível.
Lavanderias self-service se encaixam perfeitamente nesse perfil. Elas oferecem uma solução conveniente, com custo controlado e sem necessidade de agendamento, o que as torna atraentes tanto para estudantes e jovens profissionais quanto para famílias com rotinas agitadas. Esse perfil de demanda transcende fronteiras e cria um mercado potencial relativamente homogêneo em diferentes países europeus.
Outro fator favorável é a digitalização dos meios de pagamento. A integração de sistemas de pagamento por aplicativo e cartão nas lavanderias automatizadas reduz a fricção para o consumidor e facilita a gestão financeira do franqueado. Redes que chegam ao mercado europeu já com essa estrutura tecnológica consolidada têm uma vantagem competitiva real em relação a operadores locais mais tradicionais.
A sustentabilidade também é um argumento crescente no setor. Lavanderias modernas utilizam menos água e energia do que lavagens domésticas, o que ressoa positivamente com um consumidor europeu cada vez mais atento ao impacto ambiental de suas escolhas. Para redes brasileiras em processo de entrada no continente, comunicar esses benefícios de forma clara pode ser um diferencial relevante na conquista de clientes e na relação com órgãos reguladores locais.
A combinação de todos esses fatores, conveniência, tecnologia, sustentabilidade e preço acessível, coloca o modelo de lavanderias self-service em uma posição privilegiada no mercado europeu. Redes que chegam bem estruturadas, com suporte operacional sólido e capacidade de adaptação ao contexto local, têm boas chances de construir uma presença duradoura e rentável no continente.
Diferencial brasileiro no mercado europeu
Mesmo diante de um mercado europeu consolidado, a estratégia da empresa aposta em um diferencial desenvolvido no Brasil: a combinação entre automação e atendimento assistido. Enquanto muitas lavanderias europeias operam totalmente de forma automatizada, o modelo da Lave & Pegue inclui um atendente na unidade para orientar clientes, estimular a fidelização e aumentar o faturamento por visita.
Essa abordagem representa um argumento competitivo relevante nesse processo. Bruno Leite aponta que, apesar de a Europa ter uma cultura forte de lavanderias, o Brasil desenvolveu muita expertise em marketing e relacionamento com o consumidor. Esse atendimento mais próximo pode gerar valor adicional para o cliente e diferenciar a rede de concorrentes que operam exclusivamente de forma automatizada.
Para viabilizar a internacionalização operacional, a empresa adaptou seus sistemas de automação às exigências regulatórias europeias e passou a adquirir máquinas no próprio continente. Essa decisão reduz custos logísticos e facilita a padronização técnica das unidades, tornando o processo de internacionalização mais eficiente do ponto de vista da cadeia de suprimentos.
A adaptação às normas locais é um passo fundamental em qualquer processo de internacionalização. Ignorar as especificidades regulatórias de cada mercado é um dos erros mais comuns de empresas que tentam replicar o modelo doméstico sem os ajustes necessários. A Lave & Pegue demonstra ter aprendido essa lição ao ajustar tanto os equipamentos quanto os processos operacionais antes de iniciar as atividades na Europa.
Franchising brasileiro cresce no exterior
A trajetória da Lave & Pegue acompanha um momento de expansão do franchising nacional como um todo. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) indicam que o setor movimenta mais de R$ 240 bilhões por ano no Brasil, consolidando o país como um dos maiores mercados de franquias do mundo. Esse volume cria uma base sólida a partir da qual a internacionalização se torna um passo natural para as redes mais maduras.
Nos últimos anos, diversas redes brasileiras passaram a olhar para o exterior como caminho para escalar operações e fortalecer suas marcas globalmente. A internacionalização passou a ser vista não apenas como uma oportunidade de crescimento, mas como um indicador de maturidade e solidez do modelo de negócios.
Modelos enxutos, baseados em automação e serviços urbanos, têm se mostrado particularmente competitivos nos processos de internacionalização. Eles combinam baixo custo de instalação, operação simplificada e alta replicabilidade, três características essenciais para quem quer crescer rapidamente em novos mercados sem perder o controle sobre a qualidade da entrega ao consumidor.
O setor de alimentação foi, por muito tempo, o protagonista da internacionalização do franchising brasileiro. Hoje, no entanto, redes de serviços como lavanderias, estéticas, academias e cuidados com animais domésticos também avançam no exterior, diversificando o portfólio de marcas brasileiras presentes em outros países e mostrando que o Brasil tem competências em múltiplos segmentos.
Franchise Expo Paris na rota da expansão

Como parte da estratégia de internacionalização, a Lave & Pegue participa da Franchise Expo Paris, um dos principais eventos globais do setor, realizado anualmente na França. A presença no evento tem como objetivo estudar novos mercados, prospectar investidores e avaliar oportunidades de expansão em outros países europeus, incluindo o mercado francês.
Participar de feiras internacionais do setor é uma prática comum entre empresas em fase avançada de internacionalização. Esses eventos concentram investidores, master franqueados e consultores especializados em diferentes mercados, o que permite à empresa coletar informações estratégicas e identificar parceiros qualificados de forma mais eficiente do que seria possível por meio de prospecção individual.
A presença da rede brasileira em Paris sinaliza que o processo de internacionalização vai além de Portugal e Espanha. A empresa está construindo ativamente uma rede de relacionamentos no continente que pode sustentar expansões futuras em outros países da União Europeia. Cada edição da feira representa uma oportunidade de amadurecer a visão estratégica e identificar os próximos mercados prioritários.
A rota da internacionalização bem-sucedida

A estratégia seguida pela Lave & Pegue reflete um roteiro que tem se mostrado eficaz para franquias brasileiras: validar o modelo de negócio no país de origem, escalar por meio do franchising doméstico e, em seguida, levar a marca para mercados internacionais com suporte de parceiros locais. Esse caminho de internacionalização gradual minimiza riscos e garante que cada passo seja dado sobre bases sólidas.
Esse caminho não é isento de desafios. A internacionalização exige adaptações tributárias, trabalhistas, culturais e operacionais que demandam investimento em inteligência de mercado e, frequentemente, revisão de processos que funcionam bem no Brasil, mas precisam ser ajustados para outros contextos. As redes que subestimam essas diferenças costumam enfrentar dificuldades que poderiam ter sido evitadas com planejamento mais cuidadoso.
O suporte de um master franqueado local é apontado por especialistas do setor como um dos fatores mais determinantes para o sucesso da internacionalização. Esse parceiro conhece o mercado, os hábitos do consumidor local, os canais de distribuição e as exigências regulatórias, e pode acelerar significativamente a curva de aprendizado da rede estrangeira.
No caso da Lave & Pegue, a parceria com um investidor português para estruturar a operação em Lisboa segue exatamente essa lógica. A internacionalização com suporte local aumenta as chances de sucesso e reduz os riscos associados à operação em um ambiente desconhecido.
Próximos passos e perspectivas

Para a empresa, o objetivo imediato é consolidar as primeiras unidades na Europa e usar essas operações como base para novas fases de crescimento no continente. Bruno Leite afirma que o foco é construir uma operação sólida nos primeiros mercados e, a partir disso, acelerar a internacionalização com parceiros locais em outros países.
Esse modelo de expansão gradual é compatível com as melhores práticas do setor. A internacionalização feita de forma acelerada e sem consolidação adequada nos primeiros mercados é uma das principais causas de fracasso de redes que tentam crescer globalmente sem a devida estrutura. Crescer devagar para crescer com consistência é um princípio que permeia as histórias de internacionalização mais bem-sucedidas do franchising mundial.
O cenário para o franchising brasileiro no exterior é positivo. O reconhecimento internacional da capacidade empreendedora do Brasil, aliado à solidez dos modelos de negócio desenvolvidos aqui, cria condições favoráveis para que mais redes sigam o caminho da internacionalização nas próximas décadas. Marcas nacionais que investirem em planejamento, parceiros locais qualificados e adaptação cultural estarão bem posicionadas para disputar espaço em mercados cada vez mais competitivos.
O movimento que a Lave & Pegue representa é também um sinal para o setor como um todo. Mostrar que uma rede fundada em 2020 pode, em menos de seis anos, estruturar operações na Europa é um argumento poderoso para que outros empreendedores brasileiros considerem a expansão internacional como uma meta realista, e não apenas como uma aspiração de longo prazo reservada às grandes corporações.
A Lave & Pegue Lavanderia é um exemplo concreto de que o franchising brasileiro tem modelos competitivos o suficiente para atuar nos mercados mais desenvolvidos do mundo. Se a execução seguir o planejamento, a internacionalização da rede pode se tornar um caso de referência para outras empresas nacionais que pensam em expandir para além das fronteiras do Brasil e consolidar suas marcas em escala global.